Assim, não podemos agir como cristãos a menos que entendamos a salvação, e parte disso significa reconhecer o contraste entre a condição do cristão e a do não-cristão. Nesse ponto, a Escritura registra dos dois como estando em extremos opostos, e usa várias formas para explicar e enfatizar isso. Em nossa passagem, Paulo declara que os crentes compartilham uma herança no “reino da luz” sob Cristo, e que quando ainda eram incrédulos, estavam sob “o domínio das trevas”. O contraste entre o cristão e o não-cristão, portanto, é como a diferença entre a luz e as trevas.
As formas que a Escritura usa o contraste entre luz e trevas sugere que as metáforas se aplicam em pelo menos quatro áreas principais de diferenças entre cristãos e não-cristãos – a ética, intelectual, existencial e escatológica. Eticamente, os não-cristãos são pessoas perversas e imundas. Intelectualmente, são pessoas estúpidas e irracionais. Existencialmente, são pessoas condenadas e amaldiçoadas. Em contraste, por causa da graça de Deus e a obra de Cristo, os cristãos são justos, iluminados, jubilosos e redimidos.
Sem dúvida, os não-cristãos negam essas diferenças, alegando até mesmo o oposto em alguns pontos. Esperamos que os incrédulos pensem dessa forma – se concordassem conosco sobre o exposto acima, creriam no evangelho e se tornariam cristãos. Contudo, embora a Escritura seja clara sobre esses contrastes, os ataques mais pungentes contra aqueles que afirmam tais contrastes vêm daqueles que alegam ser cristãos. Talvez alguns deles são apenas cristãos de nome, e não de fato. Talvez alguns deles estejam embaraçados com a fé bíblica. Mas visto que esses contrastes constituem o próprio fundamento do evangelho – a própria necessidade e razão dele – os crentes fiéis não devem se comprometer nesses pontos.
Aqueles que negam a natureza e grau dessas diferenças também negam a necessidade e magnitude da obra de Cristo, e assim, negam a fé cristã. Portanto, devemos denunciar como traidores e impostores todos os que diluem ou rejeitam esses contrastes. Muitos deles são meretrizes espirituais que deitam na cama com os inimigos da fé em troca de alguns sinais de gentileza e respeito. Visto que a genuinidade da profissão de fé deles deve ser questionada, certamente não deveria haver lugar para eles em posições de liderança na igreja. Os obstinados e declarados deveriam ser excomungados da igreja.
Visto que fomos uma vez não-cristãos, nosso entendimento presente dos não-cristãos deve ser também, pelo menos em princípio, nossa percepção da nossa condição pré-conversão. Isto é, se somos consistentes, o que pensamos sobre os não-cristãos é também o que pensamos sobre nós mesmos antes da conversão, ou o que éramos antes de nos tornarmos cristãos. Portanto, na extensão em que “suavizamos” nossa visão para com os não-cristãos, também estamos suavizando o nosso eu passado. E na extensão em que somos suaves para com o nosso eu passado, menosprezamos e desvalorizamos a obra de Cristo, por meio da qual nossa redenção está assegurada. Segue-se que pensar ou falar dos não-cristãos como menos perversos, imundos, estúpidos, irracionais, rebeldes, miseráveis, condenados e amaldiçoados do que a Escritura os descreve, equivale a uma rejeição pessoal do evangelho. Ele é como alguém que pisa o Filho de Deus e insulta o Espírito da graça (Hebreus 10:29).
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (novembro/2007)
quinta-feira, novembro 01, 2007
Colossenses 1:9-14, Parte 2
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