Em sua Teologia Sistemática, Louis Berkhof precede sua discussão dos atributos de Deus com um capítulo sobre a “Cognoscibilidade de Deus”. Mas ele começa esse capítulo da seguinte forma: “A igreja cristã confessa, por um lado, que Deus é o Incompreensível, mas também, por outro lado, que ele pode ser conhecido e que conhecê-lo é um requisito absoluto para a salvação”. A declaração é aceitável até onde ela vai, embora a ênfase aqui reverta o padrão que a Escritura exibe quando se dirige aos crentes, que constituem a audiência primária de Berkhof.
Ele continua: “Ela reconhece a força da questão levantada por Zofar: ‘Porventura desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até a perfeição do Todo-Poderoso?’ (Jó 11.7).” Mas isso é um uso incorreto do versículo. Quem disse que estamos tentando conhecer a Deus “desvendando”? Já conhecemos 1 Coríntios 1:21: “Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação”. Ficamos desesperados ao tentar conhecer a verdade espiritual através dos nossos esforços pecaminosos, mas “Deus o revelou a nós por meio do Espírito” (2:10), tornando Jó 11:7 praticamente irrelevante nesse contexto. Nem mesmo tentamos fazer o que o versículo nos diz que não podemos fazer.
Então, em sua Reformed Dogmatics (Dogmática Reformada), Herman Bavinck começa sua apresentação da teologia propriamente dita como segue:
Isso provavelmente soa como sóbrio e piedoso para muitas pessoas, mas afirma o oposto do padrão e ênfase bíblica. Pelo menos ele levanta o ponto relevante do entendimento da revelação pelos crentes, e não tenta conhecer a Deus por seu próprio esforço. Mas para o nosso desapontamento, ele diz que o cristão mal pode entender o que está revelado. Pelo contrário, Jesus diz, “eu… lhes falarei abertamente a respeito do meu Pai” (João 16:25) e Paulo diz, “nós… temos a mente de Cristo” (1 Coríntios 2:16). Há suporte zero na Escritura para a idéia que não podemos, mesmo em princípio, entender algo que Deus nos revelou.
De fato, refrasear o parágrafo de Bavinck na direção oposta apresenta um sumário acurado da visão bíblica:
Ele continua: “Ela reconhece a força da questão levantada por Zofar: ‘Porventura desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até a perfeição do Todo-Poderoso?’ (Jó 11.7).” Mas isso é um uso incorreto do versículo. Quem disse que estamos tentando conhecer a Deus “desvendando”? Já conhecemos 1 Coríntios 1:21: “Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação”. Ficamos desesperados ao tentar conhecer a verdade espiritual através dos nossos esforços pecaminosos, mas “Deus o revelou a nós por meio do Espírito” (2:10), tornando Jó 11:7 praticamente irrelevante nesse contexto. Nem mesmo tentamos fazer o que o versículo nos diz que não podemos fazer.
Então, em sua Reformed Dogmatics (Dogmática Reformada), Herman Bavinck começa sua apresentação da teologia propriamente dita como segue:
Mistério é a força vital da dogmática. Sem dúvida, o termo “mistério”na Escritura não significa uma verdade abstrata sobrenatural no sentido católico romano. Todavia, a Escritura está igualmente longe da idéia que os crentes podem compreender os mistérios revelados num sentido científico. Na verdade, o conhecimento que Deus revelou de si mesmo na natureza e na Escritura está muito além da imaginação e entendimento humano. Nesse sentido, é com todo o mistério que a ciência da dogmática se preocupa, pois ela não lida com criaturas finitas, mas do princípio ao fim deixa todas as criaturas para trás e se foca no Eterno e Infinito. Desde o começo dos seus labores, ela encara o Incompreensível.
Isso provavelmente soa como sóbrio e piedoso para muitas pessoas, mas afirma o oposto do padrão e ênfase bíblica. Pelo menos ele levanta o ponto relevante do entendimento da revelação pelos crentes, e não tenta conhecer a Deus por seu próprio esforço. Mas para o nosso desapontamento, ele diz que o cristão mal pode entender o que está revelado. Pelo contrário, Jesus diz, “eu… lhes falarei abertamente a respeito do meu Pai” (João 16:25) e Paulo diz, “nós… temos a mente de Cristo” (1 Coríntios 2:16). Há suporte zero na Escritura para a idéia que não podemos, mesmo em princípio, entender algo que Deus nos revelou.
De fato, refrasear o parágrafo de Bavinck na direção oposta apresenta um sumário acurado da visão bíblica:
Começar o empreendimento teológico com ignorância e pessimismo, ao invés de afirmação confiante do conhecimento, embora já tenhamos recebido a Palavra e o Espírito de Deus, é colocara nós mesmos na posição de não-cristãos. Isso não é humildade, mas uma negação arrogante e rebelde da graça de Deus e a obra que ele tem realizado em nós.
Entendimento é a força vital da dogmática. A Escritura está longe da idéia que os crentes não podem compreender a plenitude da revelação. Na verdade, o conhecimento que Deus revelou de si mesmo na Escritura é apropriado para o intelecto redimido. Nesse sentido, é com todo o entendimento que a ciência da dogmática se preocupa, pois ela não lida com a investigação de criaturas finitas e pecaminosas, mas do princípio ao fim deixa todas as criaturas para trás e se foca no Eterno e Infinito, que revelou a si mesmo. Desde o começo dos seus labores, ela encara Aquele que conhece a mente humana, e que iluminou os que crêem, e que se revelou claramente a eles numa forma que podem entender.
O padrão bíblico é começar pela cognoscibilidade de Deus – não somente que ele é cognoscível, mas que como cristãos o conhecemos – e se deve ser mencionada de alguma forma, concluir com a incompreensibilidade de Deus após todas as questões terem sido respondidas e resolvidas. A única razão aceitável para introduzir essa doutrina no princípio é incluir o tópico sob a cognoscibilidade de Deus, e então usar a doutrina para enfatizar o fato que Deus se fez cognoscível e conhecido, especialmente àqueles que crêem (1 Coríntios 1-2).
A doutrina bíblica é que não podemos conhecer a Deus por nossos esforços e métodos, mas conhecemos somente o que ele nos revela – isto é, o que ele nos diz. Não podemos conhecer e não deveríamos especular além do que ele revelou. Deus revelou uma abundância de informação para nós, muito mais do que muitos teólogos estão dispostos a reconhecer. Essa quantidade de informação é suficiente para constituir uma cosmovisão completa que responda todas as questões necessárias, e de uma forma que seja explícita e consistente, sem contradições aparentes ou reais.
Os teólogos freqüentemente apresentam uma visão diferente concernente à extensão real dessa revelação e a natureza do nosso entendimento dela. Meu julgamento é que as propostas comuns são falsas, e geralmente blasfemas, pelo menos por implicação.
Primeiro, há a afirmação prematura, veementemente defendida, que Deus não revelou nada além do que temos entendido. Assim, algumas questões são ditas estarem além da revelação que temos, quando a verdade é que as questões estão além do nosso entendimento ou as respostas estão além da nossa disposição em aceitar. Toda essa conversa sobre “mente humana finita” equivale a mensurar a revelação divina por nossa finitude humana. É o próprio oposto da humildade.
Segundo, há a insistência violenta que a revelação como a temos contém inúmeros paradoxos e contradições, e que somente revelação adicional, que não receberemos nessa vida presente, fornecerá material necessário para o entendimento e reconciliação. Essa negação da clareza da revelação e o efeito da redenção é tão essencial para o pensamento teológico e a postura eclesiástica de alguns teólogos, que eles até mesmo tentam remover ministros que insistem que a revelação de Deus é inteligível e auto-consistente.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (novembro/2007)

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