domingo, novembro 04, 2007

Colossenses 1:9-14, Parte 3


A verdade é preto no branco; não há nenhuma área cinza. O Cristianismo é inteiramente correto, e todas as visões não-cristãs são inteiramente erradas – completamente, em cada ponto, e no grau máximo. Trevas não é uma luz turva, mas a ausência de luz, e a luz não é apenas mais brilhante que as trevas, visto que, em primeiro lugar, não existe luz nas trevas a ser aumentada. Antes, a luz permanece em oposição a tudo que é representado pelas trevas, e as trevas em oposição a tudo que é representado pela luz. A Escritura mantém esse contraste em várias passagens, não como uma diferença de grau, mas como dois opostos extremos: “
Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo” (2 Coríntios 6:14-16).

Paulo refere-se aos cristãos como aqueles que foram “
resgat[ados] do domínio das trevas”. Os não-cristãos são escravizados pelas pessoas e qualidades representadas pelas trevas. Eles são intelectual e eticamente governados por Satanás, e são caracterizados pela total impiedade e irracionalidade. Eles estão presos nessa condição, tanto incapazes como indispostos a se livrarem de ser perversos e estúpidos. A menos que um incrédulo admita isso, ele não reconhece sua condição miserável e sua necessidade da graça de Deus, de forma que não há nenhum arrependimento. E a menos que um crente declare isso, ele engana os ouvintes e falha em entregar o evangelho.

Alguns dos cristãos que se opõem a mim confessam que a Escritura de fato fala e ensina como eu faço. Contudo, eles adicionam, talvez não deveríamos dizer aos incrédulos tudo o que estamos dizendo aqui. Isto é, percebemos que a Bíblia chama-os de idiotas, e muitas outras coisas derrogatórias, mas não temos que dizer-lhes isso? Talvez possamos dizer-lhes sobre sua verdadeira condição como incrédulos, usando as palavras que a Escritura usa, após eles terem se convertido à fé cristã? Em suas refutações contra mim, isso tem sido sugerido mesmo por alguns cristãos Reformados, que se orgulham de sua forte doutrina do pecado. Mas ao invés de mostrarem sabedoria e bondade, isso é hipocrisia grosseira e simulação. O que? Recusamos dizer aos não-cristãos o que dizemos por suas costas? É esse o tipo de pessoas que somos como cristãos? E aí temos a ousadia de declarar que eles deveriam se tornar como nós? Esse comportamento vergonhoso pertence ao reino das trevas, e não da luz!

De um lado, não devemos impor barreiras anti-bíblicas à fé cristã, tais como circuncisão, leis de comida e bebida, ou celebração de dias santos (2:16); por outro lado, não devemos remover barreiras à fé cristã que são aspectos necessários do evangelho, e que podem ser sobrepujadas apenas pelo Espírito de Deus operando no coração humano. Uma de tais barreiras é a doutrina bíblica do pecado. Ela ofende e humilha ao pecador, e demanda o seu arrependimento. Assim como a doutrina da crucificação apresenta uma pedra de tropeço para alguns, a doutrina do pecado, quando apresentada em sua plenitude, faz com que aqueles que tropeçam não tenham a graça de reconhecer a verdade e abandonar o seu orgulho, de forma que possam ser salvos mediante fé em Cristo. Mas essa pedra de tropeço é uma pressuposição e pedra angular do evangelho, e deve permanecer se a verdade – se a própria fé cristã - há de ser preservada.

Sem dúvida, podemos distinguir entre o conteúdo de uma mensagem e a maneira como apresentamo-la. A doutrina bíblica do pecado é dura em conteúdo, mas a forma como é apresentada pode variar, dependendo de vários fatores, incluindo o contexto da conversação e a atitude da audiência. O ponto é que devemos apresentar a verdade sobre o que cremos, isto é, se cremos verdadeiramente no que a Bíblia diz sobre os não-cristãos. Quando elogiamos o diabo, tornamo-nos inimigos de Cristo. Segue-se que prefaciar nossa pregação do evangelho com louvores à ciência não-cristã, cultura, altruísmo, e assim por diante, como mesmo cristãos Reformados freqüentemente fazem, é algo que procede do maligno. Antes, nossa doutrina e conduta deve refletir quem somos – isto é, filhos da luz – e também o que eles são – escravos das trevas, filhos do diabo.


Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (novembro/2007)

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