Contudo, embora os cristãos tenham sido santificados pela fé, iluminados para compreender a verdade, e provado os poderes da era que há de vir (Hebreus 6:4), eles estão longe de serem perfeitos. Ainda há muito para aprender, corrigir e desenvolver. Todavia, à medida que o nosso foco muda do contraste entre os cristãos e os não-cristãos para a questão do crescimento espiritual do cristão, o assunto não é mais sobre conversão, ou a extrema diferença entre luz e trevas. A despeito de seus defeitos e imperfeições, o cristão foi resgatado do domínio das trevas e transferido para o reino de Cristo. Assim, estamos considerando seu desenvolvimento como um filho da luz, como alguém que pode reconhecer e afirmar a verdade, e como alguém que pode se despir do velho homem e se revestir do novo, que pode agora amar e obedecer aos mandamentos de Deus. Uma pessoa que foi convertida ao Cristianismo não é diferente do que era apenas em grau, mas ela está agora completamente em outra esfera espiritual, intelectual e ética.
As cartas e orações de Paulo demonstram que sua prioridade é que os cristãos cresçam em conhecimento. Embora leve a outras coisas que ele também valoriza, o conhecimento espiritual – ou teologia, que é apenas um termo formal para a mesma coisa – vem em primeiro lugar para o apóstolo (1:28-29). Aqui ele escreve: “não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual” (1:9). Ou, como ele escreve aos efésios: “Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai, lhes dê o Espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento dele” (Efésios 1:17). E aos filipenses diz: “Esta é a minha oração: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção, para discernirem o que é melhor, a fim de serem puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo” (Filipenses 1:9-10).
Sabedoria, conhecimento, percepção, e coisas semelhantes, são necessárias e fundamentais para o desenvolvimento espiritual. Sem elas, é impossível compreender a “vontade de Deus”, ter o “pleno conhecimento dele”, discernir “o que é melhor”, e sermos “puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo”. Portanto, é auto-contraditório afirmar: “Posso não conhecer muito a Bíblia, mas conheço a Deus”, ou mesmo “posso não saber muito teologia, mas sei muito sobre Deus”.
Essa ênfase bíblica sobre sabedoria e conhecimento não limita o desenvolvimento espiritual a apenas um pequeno número de cristãos. Existem realmente aqueles que praticam uma forma de elitismo – eles considerarão a teologia ou ministério de alguém como ilegítimo porque ele não obteve um diploma de certo seminário, ou porque não escreve para uma audiência erudita. Essas são pessoas que criticariam um livro não porque o mesmo carece de verdade ou zelo, mas porque não cita os acadêmicos importantes em suas notas de rodapé. Em todo o caso, elitistas geralmente não são a elite espiritual de forma alguma, mas são covardes e hipócritas incompetentes. E esse é o porquê eles não criticariam o mesmo ponto em outro escritor, se este for famoso ou idolatrado o suficiente, de forma que o zelo e cinismo deles apenas sairia pela culatra.
Esses elitistas são os descendentes espirituais dos fariseus, e existem por toda a parte. Eles gostam de perguntar: “Com que autoridade estás fazendo estas coisas?” (Mateus 21:23), quando na verdade é a autoridade deles que vem de outro. Como no caso dos fariseus, o apelo deles não é feito a Cristo, mas a ídolos e tradições humanas. Eles condenariam alguém por seguir a prática bíblica de xingamento, mas não hesitariam em praticar a idolatria de citar pessoas famosas como autoridade.[1] A sabedoria deles não é pura e espiritual, mas demoníaca. Por mera influência ao invés de razão, eles tentam intimidar os cristãos à submissão. Eles não devem ser temidos, mas resistidos, zombados e desprezados.
A Escritura não tolera o elitismo. Ela não exclui alguém por causa de padrões mundanos e tradições humanas. A sabedoria espiritual está disponível a todo cristão que pede a Deus por ela. Aqui Paulo ora por todos os crentes em Colosso, para que todos eles recebam “sabedoria e entendimento espiritual”. Tiago escreve: “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhes será concedida” (Tiago 1:5), embora ele diga que isso requer fé e paciência. De qualquer forma, essa sabedoria leva à humildade e boas obras (Tiago 3:13), enquanto a sabedoria demoníaca dos incrédulos e elitistas exibe inveja e ambição egoísta (Tiago 3:14), e freqüentemente uma cobiça por poder, controle e admiração.
As boas novas é que a sabedoria espiritual que é necessária para se desenvolver como um crente, e para crescer em fé, amor e esperança, está disponível a todo cristão através dos meios que Deus providenciou, tais como a oração e o estudo. Mas isso também remove qualquer escusa do crente para ignorância espiritual e teológica. Um falta de educação formal não é escusa, visto que a sabedoria espiritual vem de Deus, e não do homem.
A promessa de Deus na Escritura, de que ele derramará sua sabedoria sobre aqueles que pedem, é mais que suficiente para sobrepujar qualquer obstáculo que pareça estar presente devido à carência de treinamento acadêmico. Negar isso é negar também o poder e a promessa de Deus. Por outro lado, existem aqueles que se orgulham em continuar sem uma educação formal, e ao mesmo tempo não se esforçam para adquirir sabedoria e conhecimento através de oração e estudo. Isso não é espiritualidade, mas delírio auto-justificador. O ponto é, quer alguém tenha recebido ou não uma educação formal ou qualquer treinamento facilitado pelo homem, a verdadeira sabedoria vem de Deus, através dos meios apontados por ele, e isso não leva ao elitismo, mas à humildade e serviço com grande intrepidez.
Então, Paulo continua: “E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra” (1:10). A Bíblia ensina uma forte conexão entre a verdadeira sabedoria e a conduta santa. Por exemplo, os versículos que citamos da carta de Paulo aos Filipenses diz que devemos abundar “em conhecimento e em toda a percepção”, para que possam ser “puros e irrepreensíveis”. Nossa passagem fala de ser cheio do “pleno conhecimento da vontade de Deus”. A “vontade” de Deus em tal contexto denota seus preceitos, e não seus decretos, isto é, a moralidade que ele definiu, e não a realidade que ele determinou. Um crente forte e que está progredindo, portanto, é alguém que está aprendendo e obedecendo à vontade de Deus, ou aos ensinos e preceitos da Bíblia.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (novembro/2007)
As cartas e orações de Paulo demonstram que sua prioridade é que os cristãos cresçam em conhecimento. Embora leve a outras coisas que ele também valoriza, o conhecimento espiritual – ou teologia, que é apenas um termo formal para a mesma coisa – vem em primeiro lugar para o apóstolo (1:28-29). Aqui ele escreve: “não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual” (1:9). Ou, como ele escreve aos efésios: “Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai, lhes dê o Espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento dele” (Efésios 1:17). E aos filipenses diz: “Esta é a minha oração: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção, para discernirem o que é melhor, a fim de serem puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo” (Filipenses 1:9-10).
Sabedoria, conhecimento, percepção, e coisas semelhantes, são necessárias e fundamentais para o desenvolvimento espiritual. Sem elas, é impossível compreender a “vontade de Deus”, ter o “pleno conhecimento dele”, discernir “o que é melhor”, e sermos “puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo”. Portanto, é auto-contraditório afirmar: “Posso não conhecer muito a Bíblia, mas conheço a Deus”, ou mesmo “posso não saber muito teologia, mas sei muito sobre Deus”.
Essa ênfase bíblica sobre sabedoria e conhecimento não limita o desenvolvimento espiritual a apenas um pequeno número de cristãos. Existem realmente aqueles que praticam uma forma de elitismo – eles considerarão a teologia ou ministério de alguém como ilegítimo porque ele não obteve um diploma de certo seminário, ou porque não escreve para uma audiência erudita. Essas são pessoas que criticariam um livro não porque o mesmo carece de verdade ou zelo, mas porque não cita os acadêmicos importantes em suas notas de rodapé. Em todo o caso, elitistas geralmente não são a elite espiritual de forma alguma, mas são covardes e hipócritas incompetentes. E esse é o porquê eles não criticariam o mesmo ponto em outro escritor, se este for famoso ou idolatrado o suficiente, de forma que o zelo e cinismo deles apenas sairia pela culatra.
Esses elitistas são os descendentes espirituais dos fariseus, e existem por toda a parte. Eles gostam de perguntar: “Com que autoridade estás fazendo estas coisas?” (Mateus 21:23), quando na verdade é a autoridade deles que vem de outro. Como no caso dos fariseus, o apelo deles não é feito a Cristo, mas a ídolos e tradições humanas. Eles condenariam alguém por seguir a prática bíblica de xingamento, mas não hesitariam em praticar a idolatria de citar pessoas famosas como autoridade.[1] A sabedoria deles não é pura e espiritual, mas demoníaca. Por mera influência ao invés de razão, eles tentam intimidar os cristãos à submissão. Eles não devem ser temidos, mas resistidos, zombados e desprezados.
A Escritura não tolera o elitismo. Ela não exclui alguém por causa de padrões mundanos e tradições humanas. A sabedoria espiritual está disponível a todo cristão que pede a Deus por ela. Aqui Paulo ora por todos os crentes em Colosso, para que todos eles recebam “sabedoria e entendimento espiritual”. Tiago escreve: “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhes será concedida” (Tiago 1:5), embora ele diga que isso requer fé e paciência. De qualquer forma, essa sabedoria leva à humildade e boas obras (Tiago 3:13), enquanto a sabedoria demoníaca dos incrédulos e elitistas exibe inveja e ambição egoísta (Tiago 3:14), e freqüentemente uma cobiça por poder, controle e admiração.
As boas novas é que a sabedoria espiritual que é necessária para se desenvolver como um crente, e para crescer em fé, amor e esperança, está disponível a todo cristão através dos meios que Deus providenciou, tais como a oração e o estudo. Mas isso também remove qualquer escusa do crente para ignorância espiritual e teológica. Um falta de educação formal não é escusa, visto que a sabedoria espiritual vem de Deus, e não do homem.
A promessa de Deus na Escritura, de que ele derramará sua sabedoria sobre aqueles que pedem, é mais que suficiente para sobrepujar qualquer obstáculo que pareça estar presente devido à carência de treinamento acadêmico. Negar isso é negar também o poder e a promessa de Deus. Por outro lado, existem aqueles que se orgulham em continuar sem uma educação formal, e ao mesmo tempo não se esforçam para adquirir sabedoria e conhecimento através de oração e estudo. Isso não é espiritualidade, mas delírio auto-justificador. O ponto é, quer alguém tenha recebido ou não uma educação formal ou qualquer treinamento facilitado pelo homem, a verdadeira sabedoria vem de Deus, através dos meios apontados por ele, e isso não leva ao elitismo, mas à humildade e serviço com grande intrepidez.
Então, Paulo continua: “E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra” (1:10). A Bíblia ensina uma forte conexão entre a verdadeira sabedoria e a conduta santa. Por exemplo, os versículos que citamos da carta de Paulo aos Filipenses diz que devemos abundar “em conhecimento e em toda a percepção”, para que possam ser “puros e irrepreensíveis”. Nossa passagem fala de ser cheio do “pleno conhecimento da vontade de Deus”. A “vontade” de Deus em tal contexto denota seus preceitos, e não seus decretos, isto é, a moralidade que ele definiu, e não a realidade que ele determinou. Um crente forte e que está progredindo, portanto, é alguém que está aprendendo e obedecendo à vontade de Deus, ou aos ensinos e preceitos da Bíblia.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (novembro/2007)

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