sábado, julho 25, 2009
Livros publicados por Editoras brasileiras
quinta-feira, abril 17, 2008
A Igreja Invencível (Parte 2)
Não importando quão positivas possam ser tais opiniões, elas estão aquém da verdade sobre a pessoa de Jesus Cristo. Um pregador ordinário dificilmente poderia receber maior lisonjeio do que ser chamado de um Elias ou um Jeremias, mas ao Senhor isso seria mais como insultos do que elogios. A verdade é, como Pedro declararia num momento, que ele era “o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Ele é o maior de todos os profetas, e o cumprimento de todas as suas profecias. Ele permanece numa classe por si só, e falhando em ver isso, as pessoas carecem de uma categoria existente com a qual poderiam classificá-lo. Assim, é suposto que eles vêem em Cristo algo dos espíritos dos profetas, mas o que eles falham em captar e expressar é que eles vêem em cada um dos profetas algo do espírito de Cristo, que falava por meio deles concernente a si mesmo. Portanto, alguém que diz que Cristo não é nada mais que um profeta, mesmo se o maior de todos os profetas, desonra e difama do Filho de Deus. Não há salvação e promessa em tal confissão. Por esse padrão julgamos as pessoas e as religiões do mundo.
Jesus não assume que seus discípulos compartilham as positivas, embora inadequadas opiniões das pessoas, de forma que pergunta: ““E vocês? Quem vocês dizem que eu sou?” Pedro responde: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. A isso Jesus responde: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus”. Dissipando as tradições propagadas pela sociedade, as confusões entre o povo, as oposições dos líderes religiosos, e as questões dentre os próprios discípulos, Deus o Pai revelou seu Filho soberanamente aos apóstolos, e aqui especificamente a Pedro.
Ele diz que a confissão de Pedro procede de uma revelação que vem de Deus, e não do homem, uma que procede do espírito, e não da carne. Isso poderia significar que Jesus até aqui nunca tinha alegado ser o Cristo, ou nunca tinha dado qualquer indicação que ele fosse o Cristo, e agora o Pai tinha revelado a informação necessária a Pedro, à parte de qualquer meio natural, bem como fez com que ele assentisse a essa informação revelada. Tomada por si só, a declaração do Senhor não exclui essa interpretação. É certamente possível para Deus revelar Cristo a um indivíduo à parte da pregação de um homem. Isso não é dizer que Cristo é revelado à parte da “palavra”, mas apenas que Deus estaria revelando (ou mesmo pregando) sua palavra diretamente ao espírito do homem. A Escritura nunca indica que isso é impossível, mesmo que seja incomum.
Todavia, vemos que essa é uma interpretação improvável do versículo quando consideramos o que ocorreu no Evangelho de Mateus. Por volta de Mateus 2, João o Batista tinha apontado Jesus como o Cristo, aquele que batizaria o seu povo com o Espírito Santo, e aquele cuja justiça perfeita era tal que não requeria dele arrependimento ou batismo em água. E uma voz do céu anunciou: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (v. 17). Em Mateus 7, é suposto por alguns que eles poderiam chamá-lo de “Senhor, Senhor” e entrar no reino dos céus. Jesus implica que alguns entrarão, mas somente aqueles que também fazem a vontade do Pai (v. 21). Assim, Jesus reconhece que Ele é a chave confessional para a salvação, mas ele requer uma confissão verdadeira que resulte em obediência (Lucas 6:46). É possível também profetizar, expulsar demônios, e operar milagres em seu nome (Mateus 7:22-23), implicando que ele não é mero profeta. O versículo 29 indica que ele é diferente dos mestres da lei, mas ele é “como quem tem autoridade.”
Em Mateus 8, Jesus acalma a tempestade com uma palavra, de forma que os discípulos exclamam: “Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (v. 27). Quando os demônios o viam, eles gritavam: “Que queres conosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do devido tempo?” (v. 29). Ele declara em Mateus 10: “Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus” (v. 32-33). E ainda mais significante para o nosso contexto, ele diz em Mateus 11: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar” (v. 27). Então, em Mateus 12, ele chama a si mesmo de “o Senhor do sábado”, que é “maior do que o templo” (v. 6, 8).
É desnecessário multiplicar os exemplos. Não é que Cristo nunca tenha ensinado sobre si mesmo, ou que ele nunca tenha dado alguma indicação de sua natureza e identidade. As pessoas falharam em reconhecê-lo corretamente, não por falta de explicação, e nem por não tinha havido nenhuma demonstração. Pelo contrário, tinha havido múltiplas explicações explícitas e inúmeras demonstrações espetaculares. Em Mateus 13, Jesus fala o porquê as pessoas não o reconheceram, dizendo: Neles se cumpre a profecia de Isaías: ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês nunca entenderão; ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão” (v. 14). Ou, como Paulo coloca: “Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).
Assim, não é que Cristo não tenha explicado sua natureza e demonstrado seu poder, mas que a percepção espiritual não tinha sido concedida ao povo. Ele diz em João 6: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão ensinados por Deus’. Todos os que ouvem o Pai e dele aprendem vêm a mim” (v. 44-45). Portanto, com ou sem explicações, e com ou sem demonstrações, uma pessoa vem a Cristo quando o Pai realiza uma obra direta em seu coração, fazendo-o perceber e crer na verdade sobre Cristo, que ele é o Filho de Deus, e aquele que redime o sue povo através de um sacrifício expiatório.
Essa é a razão básica do porquê uma pessoa crer em Cristo e a outra não. Eu chego a uma pessoa e digo: “Arrependa-se, e creia no evangelho!” E se Deus a capacitar para perceber a verdade e gerar fé nela, então essa pessoa será convertida e confessará a Cristo como Senhor. Pode até ser o caso dessa pessoa ter ouvido o evangelho inúmeras vezes antes, mas até agora Deus não tinha revelado Cristo diretamente ao seu coração. Se sim, a pessoa poderia exclamar: “É claro que é assim! Sem dúvida esse Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, que tomou a carne humana para morrer pelos pecados do seu povo. Pensei que eu fosse sábio – racional, científico e tudo o mais – mas tenho sido o maior tolo do mundo até hoje. Agora vejo que somente um imbecil negaria a verdade da religião cristã.” Assim, uma pessoa chega à fé por meio de uma mensagem simples que contém pouca explicação ou argumento.
Por outro lado, posso sentar por muitas horas com outra pessoa, e apresentar toda a fé cristã a ela de uma forma sistemática, fornecendo uma justificação racional para cada alegação e premissa, ora defendendo essa afirmação, ora refutando aquela objeção, até que tenha obtido uma vitória total sobre sua obstinação, e até que sua mente e corpo tenha chegado ao um ponto de exaustão. E ainda assim, ela poderia falhar em perceber a verdade sobre Cristo, fracassando assim em crer e confessar a Jesus Cristo. O defeito não está em Deus, em mim, na mensagem, ou na apresentação, mas no incrédulo. Eu posso colocar Cristo diante dos seus olhos, e ele fracassará em percebê-lo. Eu posso colocar o evangelho em seus ouvidos, e ele não entenderá. Oh, não-cristão estúpido! Quem te livrará do seu retardamento mental? O incrédulo é uma pessoa arruinada, deficiente e estúpida.
Dito isso, não devemos concluir que toda a nossa pregação e argumentação é inútil. A responsabilidade humana é determinada pelo mandamento divino, e não pelo efeito antecipado da nossa ação. Paulo escreve: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer; de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento” (1 Coríntios 3:6-7). Ele não conclui a partir disso que ele deveria parar de plantar e Apolo de regar. Não, somos dirigidos pelo mandamento, e não pelo efeito. E Deus nos manda pregar a palavra, defender a sã doutrina, e refutar aqueles que se opõem. Seja qual for o efeito numa circunstancia particular, a pregação e argumentação correta honra a Deus, e ele freqüentemente usa-as para efetuar o seu propósito, ou como o meio pelo qual ele muda o coração do homem.
Assim, a pregação e argumentação são muito necessárias, mas é Deus quem determina o efeito. Embora Pedro tinha sido exposto a explicações e demonstrações concernentes à verdade sobre Cristo, ele nem sempre percebeu e confessou essa verdade. Não foi até que o pai revelou Cristo diretamente a ele que a verdade finalmente rompeu em seu coração como o nascer-do-sol dissipa as trevas da noite. “Pois Deus, que disse: ‘Das trevas resplandeça a luz, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da gloria de Deus na face de Cristo” (2 Coríntios 4:6).
Pedro não faz sua confissão à parte de explicação e evidência. Na verdade, tinha havido plenitude de explicação e evidência, e elas logicamente necessitavam de confissão. Contudo, embora a confissão seja racional, o homem nem sempre é racional. Antes da revelação de Deus fazer a percepção brotar em seu coração, Pedro foi incapaz de perceber a verdade, mesmo quando a explicação e evidência sobre Cristo foram lhe apresentadas dia após dia.
Portanto, embora a verdade e a razão estejam do nosso lado, porque Deus endurece o réprobo tolo e irracional, nenhum argumento pode convencê-lo. E porque Deus preserva o eleito, cuja mente tem sido iluminada para perceber e crer na verdade, nenhuma objeção pode dissuadi-lo. Não é que os esforços do homem não tenham significado, mas sim que esses esforços por si só não produzem o efeito, seja fé ou incredulidade. Antes, Deus freqüentemente usa os esforços do homem para realizar o seu propósito, quer para converter ou endurecer, embora ele seja capaz de produzir o mesmo efeito à parte de tais esforços. Isso é crucial para o nosso entendimento e aplicação do versículo 8. Veremos que essa verdade não deveria levar a um sentimento de futilidade e desânimo, mas sim de confiança e invencibilidade.
quarta-feira, abril 16, 2008
A Igreja Invencível (Parte 1)
Chegando Jesus à região de Cesaréia de Filipe, perguntou aos seus discípulos: “Quem os outros dizem que o Filho do homem é?”
Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, Jeremias ou um dos profetas”.
“E vocês?”, perguntou ele. “Quem vocês dizem que eu sou?”
Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
Respondeu Jesus: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus. E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus; o que você ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o que você desligar na terra terá sido desligado nos céus”. Então advertiu a seus discípulos que não contassem a ninguém que ele era o Cristo
Quando um profeta fala, é freqüentemente difícil para as pessoas colocá-lo numa categoria. Ele está pregando ou ensinando? O que ele está fazendo? Ele parece estar pregando, mas que tipo de pregador diz tais coisas? Ele parece estar ensinando, mas que tipo de professor instrui dessa forma? Às vezes ele é bem direto para confrontar, e mesmo muito duro, mas parece extremamente simplista relegar isso a uma falha de caráter ou falta de compaixão. Não é a “franqueza” de um cristão fanático ou a dureza de um não-cristão. Não é o cinismo do tradicionalista, que se apega mais a um credo humano do que à revelação divina, ou o sarcasmo amargo do idólatra, que sacrificaria sue próprio irmão no altar de seu teólogo preferido. Parece haver mais nessa pessoa.
A ofensa que surge de ouvir ou ler suas palavras, se alguém for honesto sobre isso, acontece porque ele é justo e acurado em tudo o que diz. Ele é tão justo que não deixa espaço para diálogo ou discussão, esmagando o orgulho do homem e expondo sua vergonha. O profeta é tão justo e acurado que a tentativa do ouvinte de suprimir a culpa que se intensifica torna-se ira, e a ira torna-se ódio e assassinato. Se o chamado ao arrependimento é rejeitado e o coração endurecido contra a mensagem, então veste-se a tradição religiosa como uma capa para encobrir o mal interior, e a justiça de Cristo é substituída pelo endosso humano. Retirando a armadura de Deus e se revestindo da armadura do diabo, aqueles que ouviram e rejeitaram a palavra profética resolvem destruir o mensageiro de Deus, pois ele deve ser silenciado para preservar a paz e sanidade deles.
Há algo sobre o profeta que o separa dos outros oradores. Às vezes pode ser difícil especificar as diferenças, mas parece que ele tem um espírito diferente, um maior poder, uma ousadia especial, um discernimento mais profundo e uma missão divina na qual ele fala e escreve. Ele é, podemos dizer, alguém que fala com autoridade. E essa é a impressão que as pessoas tinham do Senhor Jesus. Elas ficavam perplexas com ele – Que tipo de pregação é essa? Que tipo de homem é ele?
Ele não falava como os escribas, que dependiam do número de notas de rodapé em seus discursos para afirmar suas conclusões. Em toda tradição, há cristão que, orgulhando-se de uma mentalidade de erudito, julga o que lêem ou ouvem por esse padrão. Isso nos diz mais sobre eles do que sobre aqueles que eles criticam. A revelação e a razão podem ser condenadas. O próprio Deus pode ser abatido e silenciado. Eles respeitam apenas a aprovação e concordância humana. Eles condenariam o próprio Senhor Jesus como inculto e amador, embora seriam forçados a respeitá-lo por aparência. Mas eles sabiam – a autoridade daquela pessoa estava além das nota de rodapé. Ele sem dúvida não era nenhum rabi comum.
Alguém fala com autoridade hoje, como alguém que recebeu uma palavra de outro mundo, ou voltamos a fazer notas de rodapé? Jesus prometeu aos seus discípulos o poder do Espírito Santo, pelo qual eles se tornariam suas testemunhas. Mas por causa da cessação da fé, o próprio Espírito Santo tem sido excomungado como um herege. “Oh, não”, eles dizem, “não negamos isso. De fato, todo o mundo já tem esse poder!”. Bem, se todos os crentes já possuem-no, onde está? Desde quando o poder do Espírito Santo não é associado com demonstrações miraculosas? Desde quando ele é reduzido a mera ousadia no falar? Espere, nós ao menos temo s isso? Desde quando a obra do Espírito foi reduzida ao desenvolvimento de virtudes? E nós temos isso em nossas igrejas? Verdade? Onde? O que atribuímos ao Espírito de Deus que não possa ser facilmente imitado por qualquer não-cristão? Na Escritura, o poder do Espírito impressiona e intimida os incrédulos. Quão freqüentemente isso acontece hoje? Não, a maioria dos cristãos não tem esse poder, mas isso faz que se sintam melhores, e livra-os de sua responsabilidade, se a doutrina deles diz que já o possuem.
De acordo com o profeta Joel, “diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos… derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão” (Atos 2:17-18). A teologia que encoraja uma cessação da fé nas manifestações espirituais não pode explicar essa passagem de uma forma que faça sentido. Por exemplo, John MacArthur colocou o seu cumprimento no período da Tribulação em sua falsa escatologia dispensacionalista. Todavia, é verdade que os Cânon mata as visões, e a Tribulação mata o Cânon? Se a Tribulação não mata o Cânon, mas ressuscita as visões, então o Cânon nunca matou as visões em primeiro lugar, de forma que o primeiro não necessariamente exclui o último. De qualquer forma, Joel também diz na mesma passagem: “E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (v. 21). Por alguma razão, ninguém questiona que isso se aplica sempre. A verdade é que eles não têm o poder do Espírito. Eles estão mentindo sobre isso. Eles não entram, e nem deixam os outros entrar.
Há diferentes manobras, mas a tática é a mesma – coisas com as quais eles não desejam lidam podem ser sempre relegadas a um tempo que não o deles. Não importa realmente quando aconteceu ou quando acontecerá de novo, conquanto não aconteça agora. Eles são como Marta, que lamentou com toda a piedade que poderia exibir: “Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia” (João 11:24). Mas Jesus respondeu: “Eu sou a ressurreição e a vida”, e perguntou “Crês tu isto?” (v. 25-26). Muitos cristãos respondem enfaticamente: “Não”.
É fútil cobrir encobrir a questão com uma avalanche de notas de rodapé quanto ao porquê isso não pode ser verdade, com esquemas artificiais de dispensações sobre o motivo de não poder ser agora, ou com uma hermenêutica vergonhosa que rotula todos os exemplos bíblicos de “exceções”, pois o Senhor Jesus diz: “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês” (Atos 1:8). Eles devem se submeter à definição da própria Escritura de poder, incluindo seus propósitos e efeitos. Se esse poder, como explicado e ilustrado pela Escritura, não se manifesta em suas experiências (quando a Escritura assume que deveria), então devemos concluir que eles não o possuem, e que o mesmo ainda deve ser buscado e obtido. Qualquer outra conclusão é tradição humana, preocupada com proteger seu próprio orgulho sobre sua ortodoxia auto-proclama e sua autoridade sobre a vida dos homens, e não com a verdade, humildade e obediência.
sábado, março 01, 2008
Livros de Cheung já traduzidos para o português.
Teologia Sistemática [compre esse excelente livro!]
Esse livro é uma introdução à teologia cristã. Ele enfatiza a inter-relação das doutrinas bíblicas, e arranja-as num progresso lógico - desde a pré-condição epistemológica de uma cosmovisão até a preservação do crente. Os três temas centrais deste livro são a infalibilidade da Escritura, a soberania de Deus e a centralidade da mente.
Questões Últimas
Este livro reúne três ensaios relacionados que tratam com teologia, filosofia e apologética. Eles apresentam os primeiros princípios de um sistema bíblico de filosofia, e ilustram como somente a cosmovisão bíblica pode responder todas as “questões últimas”, tais como aquelas relacionadas à metafísica, epistemologia, ética e soteriologia.
Confrontações Pressuposicionalistas
Começando com uma discussão sobre o papel das pressuposições em nosso pensamento, o primeiro capítulo mostra que todos os argumentos são, no final das contas, estabelecidos somente apelando-se à validade dos nossos primeiros princípios. Então vem uma exposição do encontro de Paulo com os atenienses em Atos 17, que mostra como o apóstolo confrontava as religiões e filosofias não-cristãs, e como podemos espelhar sua postura quando fazendo apologética e evangelismo hoje. O último capítulo inclui exortações para fazer apologética bíblica com maior agressividade.
Apologética na Conversação
Esse pequeno livro apresenta vários princípios importantes na apologética bíblica que aumentam a performance e a eficácia da pessoa quando defendendo a fé em ambientes informais. Esses princípios frequentemente negligenciados parecem simples, mas eles são as armas divinas que Deus nos deu para assegurar nossa vitória em confrontações espirituais e intelectuais contra incrédulos e blasfemos.
O Sermão do Monte (sem previsão!; existem alguns trechos no Monergismo.com)
Oração e Revelação
Ao invés de se focar na técnica da oração, este livro discute a oração a partir de uma perspectiva mais ampla, engajando sua relação com outros assuntos teológicos. Em adição, ele insta para que o leitor destrone a experiência e exalte a revelação como o fundamento sobre o qual construir nossa vida espiritual em geral, e nossa vida de oração em particular.
Comentário sobre Efésios (sem previsão!; existem alguns trechos no Monergismo.com)
Comentário sobre Filipenses
Muito do que hoje é chamado de ensinamento “cristão” enfatiza o caminho para a paz emocional e o conforto físico. Em contraste, Paulo elogia os Filipenses por serem parceiros na fé com ele, e os encoraja a permanecerem unidos pela fé, de maneira que possam viver pela fé. Paulo ensina os seus leitores a buscar primeiro o reino de Deus, mesmo que isto leve a grandes sofrimentos e provações. Ele diz que pode estar contente sob todas as circunstâncias pela força que Cristo dá. Ao invés de usar a vida cristã como desculpa ou plataforma para perseguir seus próprios interesses, essa carta de Paulo ensina uma Cristandade que promove e persegue o interesse de Cristo.
O Autor do Pecado
Esta é uma coletânea de breves artigos sobre soberania divina, liberdade humana e as doutrinas da graça. O mesmo fornece um corretivo para o Calvinismo inconsistente.
Cativo à Razão
Este livro é uma coletânea de breves artigos que tratam principalmente com filosofia e apologética cristã. Ele inclui respostas a objeções levantadas por alguns cristãos professos contra a metafísica, epistemologia e apologética bíblica. É um corretivo tanto para o evidencialismo como para o pseudo-pressuposicionalismo.
Nascido de Novo
Essa é uma exposição de João 3:1-21, sobre o encontro entre Jesus e Nicodemos.
Comentário sobre 1 Pedro (sem previsão!; existem alguns trechos nesse blog)
Comentário sobre Gálatas (sem previsão!; existem alguns trechos no Monergismo.com)
Blasfêmia e Mistério (sem previsão!; existem alguns trechos no Monergismo.com)
Doutrina e Obediência (sem previsão!; existem alguns trechos no Monergismo.com)
A Luz das Nossas Mentes
Os ensaios neste livro compartilham pelo menos dois temas comuns – a saber, a ênfase bíblica sobre a mente e o monopólio da cosmovisão cristã sobre a esfera intelectual. O Cristianismo preserva a racionalidade, e fornece a pré-condição da inteligibilidade. Juntos, estes capítulos servem como um lembrete para o cristão amar a Deus com toda a sua mente (Mateus 22:37), e ao mesmo tempo ilustram uma estratégia eficaz para a apologética cristã. Alguns leitores ficarão especialmente interessados no capítulo sobre "o problema do mal" - uma questão que os incrédulos frequentemente levantam como uma objeção ao Cristianismo.
Piedade com Contentamento
Este livro é uma coleção de quatro artigos sobre tópicos relacionados à vida cristã, tais como discipulado, contentamento, direção e morte. Embora abordem vários assuntos diferentes, todos eles enfatizam a necessidade de estudar e obedecer os preceitos divinos de Deus; isto é, conformar o nosso pensamento e comportamento às palavras da Escritura.
Renovando a Mente
Este livro é uma coleção de cinco breves ensaios. Argumentando que a neutralidade intelectual não existe, o primeiro capítulo usa o Salmo 1 como base para ilustrar que todas as idéias são cristãs ou não-cristãs. O segundo capítulo mostra que o programa de desenvolvimento cristão deve primeiro atingir a mente. O restante do livro fornece vários exemplos de como as implicações dos ensinos bíblicos se desenvolvem em áreas tais como pecado, a divindade de Cristo, a escolha de uma esposa e pena de morte.
Comentário sobre Malaquias (sendo revisado!)
O Ministério da Palavra
Religião Pura
Este volume reúne seis artigos anteriormente publicados. Conteúdo: 1. De Deus não se Zomba, 2. Religião Pura, 3. Política sobre Caridade, 4. Os Nobres Bereanos, 5. A Única Coisa Necessária, e 6. Como um Homem Pensa.
Sobre o Bem e o Mal (em andamento!)
Cura Bíblica
Essa é uma introdução concisa à cura bíblica. O livro cobre assuntos tais como cura na expiação, autoridade divina, métodos de cura, protocolos de ministério, estrutura de autoridade no ministério de cura e a visão bíblica dos remédios.
As Parábolas de Jesus
Esse livro contém exposições informais sobre várias parábolas bíblicas para derivar delas alguns princípios para o viver cristão. O primeiro capítulo se foca em várias questões preliminares relevantes, tais como a natureza, propósito e interpretação das parábolas. Ele então discute as parábolas em si nos capítulos subseqüentes.
Sansão e Sua Fé
No pensamento de muitas pessoas, Sansão está inseparavelmente ligado a Dalila, e parecem pensar que a inteireza de sua vida, como registrada na Escritura, tem a ver com sua fraqueza moral e luxúrias sexuais. Assim, eles dizem que ele é o caso típico de alguém que tem “carisma sem caráter”. Contudo, esse é um retrato incompleto e incorreto de sua vida. O comentário da própria Escritura sobre Sansão é que ele foi um homem de fé, um de quem “o mundo não era digno” (Hebreus 11:38).
ARTIGOS:
O Problema do Mal
Uma refutação bíblica a um dos argumentos mais populares contra o Cristianismo.
(Parte de O Autor do Pecado e A Luz das Nossas Mentes)
Idiotas Profissionais
Exemplos sobre como filósofos não-cristãos na verdade não são melhores do que os não-cristãos mais incompetentes na substância de seus argumentos.
(Parte de Cativo à Razão)
Estudantes no Mundo Real (Download PDF)
Este livreto foi escrito para cristãos na escola secundária e universidade. Ele oferece admoestações e sugestões para estudantes, com uma ênfase sobre a apologética.
A Manobra Fatal
Uma crítica falta contra a escola mais popular de apologética pressuposicional em favor daquela que é bíblica e racional.
(Parte de Cativo à Razão)
Mais do que um oleiro
Uma resposta à objeção, "Se Deus determina tudo o que fazemos, que forma que não somos livres em nenhum sentido, então não somos nada mais que robôs e fantoches. Ele responde também uma ataque relacionado contra Romanos 9:21.
(Parte de O Autor do Pecado)
Ofertas Voluntárias e Livre-Arbítrio
Uma resposta ao argumento que a Escritura ensina que o homem tem "livre-arbítrio" porque o termo aparecer em vários versículos bíblicos.
(Parte de O Autor do Pecado)
Mateus 23:37
Proponentes do Arminianismo freqüentemente citam Mateus 23:37 (ou Lucas13:34) para apoiar a sua teologia. E o Calvinismo popular ou inconsistente algumas vezes usa o mesmo para manter uma tensão (auto-contradição) dentro do seu sistema. Esse artigo explica o porquê o versículo não apóia nenhuma dessas posições.
Escolhidos em Cristo (sem previsão!)
Uma exposição de Efésios 1:3-14. Conteúdo: Eleição, Reprovação, Redenção, Iluminação, Revelação, Reconciliação, Certificação e Conclusão.
(Parte de Comentário sobre Efésios)
A Preservação dos Santos
Este artigo discute e explica as expressões, confissões e passagens bíblicas relacionadas à doutrina da perseverança ou preservação dos santos.
A Incompreensibilidade de Deus – NOVO–
A doutrina tradicional da incompreensibilidade de Deus é antibíblica e blasfema. Tirada da seção da Carta de Paulo aos Colossenses, esse artigo esclare o ensino bíblico sobre o assunto e propõe formas de refutar a doutrina.
(Parte de Comentário sobre Colossenses)
Fé para Mover Montanhas
Uma exposição de Marcos 11:12-25, com ênfase no versículo controverso, Marcos 11:23.
A Bíblia, o Pregador e o Espírito
Deus deu à Bíblia um papel supremo na história da humanidade e na história da redenção. Sua mensagem é geralmente entrege a homens por homens, mas torna-se eficaz no coração dos homens somente pela vontade e poder do Espírito Santo. Esse artigo discute brevemente essas idéias e sugere várias aplicações.
O Sangue da Páscoa
O sangue do Cordeiro Pascal liberta o povo de Deus da ira divina. Esse artigo discute a natureza ativa e intensa dessa ira, e o poder salvador correspondente do sangue de Jesus Cristo.
O Deus dos Desastres
"Onde está Deus quando os desastres acontecem?" Baseado numa passagem de Miquéias 2, esse artigo responde a questão da relação de Deus com os desastres naturais e "causados pelo homem".
Suficiente e Proveitosa
Essa é uma exposição de 2 Timóteo 3:14-17 e 2 Pedro 1:20-21, com o subtítulo "A Autoridade, Suficiência e Utilidade da Escritura."
(Parte de O Ministério da Palavra)
Ensinais as Nações
Com o subtítulo "Palestras sobre a Grande Comissão", essa é uma exposição de Mateus 28:18-20. As três partes dessa série são: 1. A Grande Comissão, 2. A Mensagem Cristã, e 3. A Presença Permanente.
(Parte de O Ministério da Palavra)
Pregue a Palavra
Estruturado ao redor de 2 Timóteo 4:1-3, este livro discute a pregação e educação cristã. No processo, critica as teorias secular sobre os métodos de aprendizagem, e chama os pregadores do Evangelho a um ministério de ensino e escrita abrangentes.
(Parte de O Ministério da Palavra)
Argumentando por Intuição
Muitos não-cristãos e arminianos baseiam as premissas de seus argumentos na intuição, e mesmo muitos calvinistas fazem isso sem necessidade. Esse artigo explica o porquê isso é falacioso, e urge para que os cristãos se apeguem somente à revelação na apresentação e defensa da fé Bíblica/Reformada.
(Parte de O Autor do Pecado)
Um Idiota com Qualquer Outro Nome
Esse artigo responde a uma pergunta sobre o uso de injúrias quando se referindo a incrédulos.
(Parte de Cativo à Razão)
Lembre-se, Arrependa-se, Retorne
Essa é uma mensagem baseada em Apocalipse 2:4-5: "Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. 5 Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele".
O Reino em Primeiro Lugar
Jesus diz em Mateus 6:33, "Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas". Esse artigo é uma exposição sobre o significado e aplicação desse versículo.
(Parte de Doutrina e Obediência)
De Deus não se Zomba
Essa é uma transcrição revisada de uma série de duas partes sobre Gálatas 6:7-9 e 1 Coríntios 6:9-11.
(Parte de Religião Pura)
Religião Pura
Essa é uma transcrição revisada de uma série de duas partes sobre Tiago 1:22-27.
(Parte de Religião Pura)
Política sobre Caridade
Essa é uma transcrição revisada de uma série de quatro partes sobre 1 Timóteo 5:3-16, com um foco principal sobre os versículos 3-8.
(Parte de Religião Pura)
Como um Homem Pensa (Download PDF)
Uma exposição de Provérbios 22:29-23:8, incluindo a declaração: “Como um homem pensa em seu coração, assim ele é”.
(Parte de Religião Pura)
Os Nobres Bereanos (Download PDF)
Uma exposição de Atos 17:11.
(Parte de Religião Pura)
A Única Coisa Necessária
Uma exposição de Lucas 10:38-42.
(Parte de Religião Pura)
O Código Da Vince
Adapted from a message originally sent to a small private mailing list, this short article considers how we should look at and respond to the blasphemous popular novel, The Da Vinci Code. It also recommends several resources to help the reader answer the false historical claims made in the book.
OUTROS:
Racionalismo Bíblico vs. Afirmacionismo Psico
Vincent Cheung derrota o obstinado ateísta Derek Sansone neste debate informal.
sábado, novembro 24, 2007
Colossenses 1:9-14, Parte 9
Nossa ignorância do Infinito é a verdadeira solução dos problemas mais perplexantes que encontramos a cada passo no estudo da verdade divina. Temos ganhado um grande ponto quando descobrimos que eles são realmente insolúveis – que contém um elemento que não podemos entender, e sem o qual o todo deve permanecer um mistério inexplicável. As doutrinas da Trindade, da encarnação, da presciência de Deus e da liberdade do homem, a permissão da queda, a propagação do pecado original, as operações da graça eficaz, todos esses são fatos claramente ensinados; como fatos podem ser prontamente aceitos, mas desafiam todos os esforços de reduzi-los à ciência.Ele parece dizer que se não podemos “reduzi-los à ciência”, então eles são “inexplicáveis”. Ele está realmente afirmando essa relação? Algo é “ciência” ou então é inexplicável? Por que? E o que ele quer dizer por “ciência”? Por que deveríamos reduzir algo à “ciência”? Não gastaremos tempo com essas perguntas. Nesse ponto, precisamos observar apenas que ele chama aquelas doutrinas mencionadas de “inexplicáveis”, e que carregam problemas que são “insolúveis”.
Primeiro, os “problemas” com todas essas doutrinas têm sido conclusivamente resolvidos, freqüentemente apenas apontando que não existem problemas em primeiro lugar – eles foram inventados pela tradição e filosofia humana. Se Thornwell não conhece ou recusa aceitar essas soluções, isso é falha dele. Mas quando ele propõe que a “ignorância” é a “solução” para todos esses problemas, então devemos protestar que tudo da Escritura é contra ele, tanto em seu padrão como conteúdo. A Escritura não usa a ignorância como uma escusa para os crentes ou como uma defesa contra os incrédulos. Ela não admite nenhuma incoerência interna, e não apela à infinitude de Deus ou à finitude do homem para “resolver” o problema. Quando seguimos Thornwell, que representa apenas um dos muitos como ele, introduzimos confusão e falsa humildade nos cristãos, e ao invés de exaltar a verdade do evangelho diante dos incrédulos, confirmamos eles em sua descrença e irreverência.
De fato, começar nossa consideração da doutrina de Deus com sua incompreensibilidade, e introduzir pessimismo para os crentes, é modelar a disposição pagã de suprimir o conhecimento de Deus, talvez a partir de um motivo similar, isto é, abrir lugar para a incredulidade, discórdia e desobediência contra ele. A diferença é o ponto de partida para a negação – os incrédulos negam a Deus num ponto anterior – mas o princípio é idêntico. E de fato descobrimos que a incompreensibilidade de Deus é freqüentemente usada como uma escusa para rejeitar as respostas de Deus a inúmeras questões doutrinárias.
Insistir que não podemos entender algo quando Deus repetidamente a explica e responde todas as questões sobre ela – por exemplo, quando diz respeito ao “problema” do mal – é apenas uma forma polida de dizer que rejeitamos a revelação de Deus sobre o assunto. É uma tentativa de pensar como o diabo, mas falar como um santo. E é dessa forma que ensinos sobre a incompreensibilidade de Deus e a finitude da mente humana são, na maioria dos casos, usados para demonstrar falsa humildade e disfarçar rebelião grosseira contra a revelação explícita e completa de Deus.
Suponha que exista uma criança cujos pais entendem como ela processa a informação e forneçam a ela explicações e instruções detalhadas, mas ela tapa seus ouvidos e grita: “Não! Não! Não! Eu não entendo! Vocês são por demais sábios e maduros, muito além de mim, mas eu sou apenas uma criança. Não posso entender o que vocês estão dizendo”. Não há humildade aqui; antes, ela zomba de seus pais e despreza a autoridade deles. El é uma criança irritante e desobediente que precisa de correção e disciplina.
Agora, é Deus é infinitamente maior que os pais humanos, de forma que ele está de fato muito além do nosso entendimento? Sim, mas ele é também infinitamente mais versado sobre a mente humana, infinitamente mais capaz de explicar a si mesmo, com um acesso infinitamente maior às nossas almas pelo seu Espírito. Se falamos com fé e honestidade, teremos que dizer que podemos conhecer a Deus e sua vontade muito mais do que podemos conhecer nossos pais humanos. Isso pode não ser muito ainda, comparado a tudo o que existe para ser conhecido sobre um ser infinito. Nunca poderemos saber tudo sobre ele, mas conhecemos nossos pais bem menos.
Paulo escreve: “Pois, quem conhece os pensamentos do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus. Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente” (1 Coríntios 2:11-12). Em nós mesmos, não temos acesso à mente do homem nem à mente de Deus, mas Deus nos revelou a sua mente (não a mente de outros homens) pelo seu Espírito. A Escritura é consistentemente otimista sobre a capacidade dos cristãos conhecer a Deus. A doutrina tradicional da incompreensibilidade de Deus que ensina o posto é absolutamente condenável.
Os críticos podem dizer agora: “Ah, agora ele alega ter todas as respostas”. Baseado no padrão das objeções anteriores, deveríamos antecipar isso como uma possível reação. Mas essa resposta mostra uma vez mais quão obcecados eles estão com personalidade e consigo mesmo. Quanto um cristão em particular sabe é irrelevante para uma formulação apropriada da doutrina. Nossa preocupação principal tem sido a posição bíblica, ou o princípio do assunto. Também, durante toda a nossa discussão deixamos claro que esse otimismo bíblico é aplicado a todos os cristãos, embora seja retido daqueles que permanecem em incredulidade. Por outro lado, os nossos críticos e os teólogos que eles seguem desejam impor suas próprias limitações sobre todos os crentes, e mesmo sobre o conteúdo da Palavra de Deus e o poder do Espírito de Deus.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (novembro/2007)
sexta-feira, novembro 23, 2007
Colossenses 1:9-14, Parte 8
Ele continua: “Ela reconhece a força da questão levantada por Zofar: ‘Porventura desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até a perfeição do Todo-Poderoso?’ (Jó 11.7).” Mas isso é um uso incorreto do versículo. Quem disse que estamos tentando conhecer a Deus “desvendando”? Já conhecemos 1 Coríntios 1:21: “Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação”. Ficamos desesperados ao tentar conhecer a verdade espiritual através dos nossos esforços pecaminosos, mas “Deus o revelou a nós por meio do Espírito” (2:10), tornando Jó 11:7 praticamente irrelevante nesse contexto. Nem mesmo tentamos fazer o que o versículo nos diz que não podemos fazer.
Então, em sua Reformed Dogmatics (Dogmática Reformada), Herman Bavinck começa sua apresentação da teologia propriamente dita como segue:
Mistério é a força vital da dogmática. Sem dúvida, o termo “mistério”na Escritura não significa uma verdade abstrata sobrenatural no sentido católico romano. Todavia, a Escritura está igualmente longe da idéia que os crentes podem compreender os mistérios revelados num sentido científico. Na verdade, o conhecimento que Deus revelou de si mesmo na natureza e na Escritura está muito além da imaginação e entendimento humano. Nesse sentido, é com todo o mistério que a ciência da dogmática se preocupa, pois ela não lida com criaturas finitas, mas do princípio ao fim deixa todas as criaturas para trás e se foca no Eterno e Infinito. Desde o começo dos seus labores, ela encara o Incompreensível.
Isso provavelmente soa como sóbrio e piedoso para muitas pessoas, mas afirma o oposto do padrão e ênfase bíblica. Pelo menos ele levanta o ponto relevante do entendimento da revelação pelos crentes, e não tenta conhecer a Deus por seu próprio esforço. Mas para o nosso desapontamento, ele diz que o cristão mal pode entender o que está revelado. Pelo contrário, Jesus diz, “eu… lhes falarei abertamente a respeito do meu Pai” (João 16:25) e Paulo diz, “nós… temos a mente de Cristo” (1 Coríntios 2:16). Há suporte zero na Escritura para a idéia que não podemos, mesmo em princípio, entender algo que Deus nos revelou.
De fato, refrasear o parágrafo de Bavinck na direção oposta apresenta um sumário acurado da visão bíblica:
Começar o empreendimento teológico com ignorância e pessimismo, ao invés de afirmação confiante do conhecimento, embora já tenhamos recebido a Palavra e o Espírito de Deus, é colocara nós mesmos na posição de não-cristãos. Isso não é humildade, mas uma negação arrogante e rebelde da graça de Deus e a obra que ele tem realizado em nós.
Entendimento é a força vital da dogmática. A Escritura está longe da idéia que os crentes não podem compreender a plenitude da revelação. Na verdade, o conhecimento que Deus revelou de si mesmo na Escritura é apropriado para o intelecto redimido. Nesse sentido, é com todo o entendimento que a ciência da dogmática se preocupa, pois ela não lida com a investigação de criaturas finitas e pecaminosas, mas do princípio ao fim deixa todas as criaturas para trás e se foca no Eterno e Infinito, que revelou a si mesmo. Desde o começo dos seus labores, ela encara Aquele que conhece a mente humana, e que iluminou os que crêem, e que se revelou claramente a eles numa forma que podem entender.
O padrão bíblico é começar pela cognoscibilidade de Deus – não somente que ele é cognoscível, mas que como cristãos o conhecemos – e se deve ser mencionada de alguma forma, concluir com a incompreensibilidade de Deus após todas as questões terem sido respondidas e resolvidas. A única razão aceitável para introduzir essa doutrina no princípio é incluir o tópico sob a cognoscibilidade de Deus, e então usar a doutrina para enfatizar o fato que Deus se fez cognoscível e conhecido, especialmente àqueles que crêem (1 Coríntios 1-2).
A doutrina bíblica é que não podemos conhecer a Deus por nossos esforços e métodos, mas conhecemos somente o que ele nos revela – isto é, o que ele nos diz. Não podemos conhecer e não deveríamos especular além do que ele revelou. Deus revelou uma abundância de informação para nós, muito mais do que muitos teólogos estão dispostos a reconhecer. Essa quantidade de informação é suficiente para constituir uma cosmovisão completa que responda todas as questões necessárias, e de uma forma que seja explícita e consistente, sem contradições aparentes ou reais.
Os teólogos freqüentemente apresentam uma visão diferente concernente à extensão real dessa revelação e a natureza do nosso entendimento dela. Meu julgamento é que as propostas comuns são falsas, e geralmente blasfemas, pelo menos por implicação.
Primeiro, há a afirmação prematura, veementemente defendida, que Deus não revelou nada além do que temos entendido. Assim, algumas questões são ditas estarem além da revelação que temos, quando a verdade é que as questões estão além do nosso entendimento ou as respostas estão além da nossa disposição em aceitar. Toda essa conversa sobre “mente humana finita” equivale a mensurar a revelação divina por nossa finitude humana. É o próprio oposto da humildade.
Segundo, há a insistência violenta que a revelação como a temos contém inúmeros paradoxos e contradições, e que somente revelação adicional, que não receberemos nessa vida presente, fornecerá material necessário para o entendimento e reconciliação. Essa negação da clareza da revelação e o efeito da redenção é tão essencial para o pensamento teológico e a postura eclesiástica de alguns teólogos, que eles até mesmo tentam remover ministros que insistem que a revelação de Deus é inteligível e auto-consistente.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (novembro/2007)
sexta-feira, novembro 16, 2007
Colossenses 1:9-14, Parte 7
Esse ensino bíblico requer que revisemos algumas das formulações teológicas tradicionais que erroneamente exaltam as doutrinas da finitude e depravação humana acima das doutrinas da revelação e salvação. O motivo de não alcançarmos ou recebermos é um assunto, mas o que há para ser alcançado ou recebido é outro. Não devemos reduzir a graça de Deus e a obra de Cristo ao nível do nosso fracasso e incredulidade. Paulo diz que o dom de Deus é maior que o pecado do homem:Entretanto, não há comparação entre a dádiva e a transgressão. Pois se muitos morreram por causa da transgressão de um só, muito mais a graça de Deus, isto é, a dádiva pela graça de um só homem, Jesus Cristo, transbordou para muitos! Não se pode comparar a dádiva de Deus com a conseqüência do pecado de um só homem: por um pecado veio o julgamento que trouxe condenação, mas a dádiva decorreu de muitas transgressões e trouxe justificação. Se pela transgressão de um só a morte reinou por meio dele, muito mais aqueles que recebem de Deus a imensa provisão da graça e a dádiva da justiça reinarão em vida por meio de um único homem, Jesus Cristo. (Romanos 5:15-17)
Visto que a presente discussão concerne à plenitude do conhecimento espiritual, é apropriado considerar a doutrina da incompreensibilidade de Deus em relação ao que foi dito acima. Alguns cursos em dogmática começam sua apresentação dos atributos divinos com a incompreensibilidade de Deus, e de uma maneira que estabelece um tom pessimista para o empreendimento teológico inteiro. Isso é contrário ao padrão bíblico.
Considere o exemplo de Romanos 11:33-35, uma passagem freqüentemente citada em relação à incompreensibilidade de Deus: “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! ‘Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?’ ‘Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense?’.” É abusar da passagem torná-la um ponto de referência absoluto, como se permanecesse sozinha na Escritura, ou fazer dela o ponto de partida da nossa teologia. O motivo é que, quando consideramos a passagem no contexto, observamos que ela aparece na conclusão de uma longa e extensiva seção doutrinária na qual Paulo expõe todo o escopo da teologia cristã, incluindo a criação divina, a depravação humana, o julgamento presente e futuro, a representação federal de Adão no pecado, a expiação vicária de Cristo na redenção, a justificação pela fé (e não pelas obras), a santificação pelo Espírito, a predestinação e muito mais. Por volta de Romanos 11:33, Paulo tinha resolvido toda questão que ele tinha levantado, incluindo aqueles tópicos que muitos teólogos insistem chamar de mistérios e paradoxos, mesmo em desafio contra a Escritura, tais como o propósito e justiça de Deus na eleição (Romanos 9), e seus decretos soberanos (Romanos 10-11).
Charles Hodge pensa que a passagem afirma “o caráter incompreensível e a excelência infinita da natureza e dispensações divinas”, e que “podemos apenas nos maravilhar e adorar. Nunca podemos entender”. Contudo, isso não é de forma alguma o que a passagem sugere. Quer estejamos considerando o contexto imediato de Romanos 11 e Romanos 9-11, ou todo o material anterior de Romanos 1-11, o que exatamente não entendemos? O que Paulo não explicou? Ele abordou e resolveu todas as questões que levantou com pleno conhecimento e confiança.
Se entendemos ou não Paulo é outro assunto – eu disse que podemos, mas agora esse não é o nosso tópico. E se não entendemos Paulo, ainda não podemos atribuir isso à incompreensibilidade de Deus, visto que Paulo não parece ter problema em entender as coisas que escreve, de forma que não é impossível em princípio entender tudo o que ele expõe na carta. Agora, se Hodge quer dizer que Deus não pode ser “plenamente compreendido”, então poderíamos concordar (todavia, com as qualificações que discutiremos mais tarde), mas certamente é errado dizer que “podemos apenas nos maravilhar e adorar. Nunca podemos entender”. Isso não é o que acontece em Romanos. Em Romanos, nos maravilhamos e adoramos porque entendemos Romanos 1 a 11 – tudo ali.
Consideremos Romanos 11:33-35 em seu contexto imediato. Ele escreve no versículo 25: “Porque quero que entendam este mistério” (ESV). Nosso propósito não requer que consideremos o mistério em si, mas somente que Paulo desejava que seus leitores entendessem o que ele chama de mistério. Como nas outras ocasiões em que usou a palavra, mistério não se refere a algo que é intelectualmente inatingível no sentido técnico, da forma como um cálculo poderia ser para uma criança. Antes, mistério é algo que podemos entender, mas, pelo menos por um período de tempo, não nos foi contado ou explicado.
Eu poderia pensar num número entre 1 e 100.000, e enquanto eu recusar revelá-lo, ele permaneceria um “mistério” para você. Mas você não teria dificuldade em entender caso eu lhe dissesse o número. Mistério na Escritura não indica algo que não possamos entender por causa da nossa compreensão limitada, mas a algo que não podemos descobrir, a menos que nos seja transmitido e explicado por revelação. Então, podemos entendê-lo, em muitos casos, sem qualquer dificuldade. Assim, Romanos 11:33-35 poderia estar expressando um senso de apreciação e maravilha pelo que Paulo tinha acabado de explicar e que acabamos de entender (seja em Romanos 11, 9-11, ou tudo de 1-11). Mas ele não deixa nenhuma questão sem resposta para 11:33-35 expressar uma incapacidade de descobrir ou entender algo.
Em particular, considere 11:34, que procede de Isaías 40:13. Paulo também cita o versículo em 1 Coríntios 2:16. Mas logo após o mesmo, ele adiciona: “Nós, porém, temos a mente de Cristo”. E no versículo 12 escreve: “Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente”. Seu ponto é que não podemos conhecer a Deus e os seus caminho à parte de sua Palavra e Espírito (1:21), mas porque ele nos deu sua Palavra e Espírito, entendemos – muito bem, de fato (2:6-10, 13-16), pois “Deus o revelou a nós por meio do Espírito” (2:10).
É mais que provável que Paulo está fazendo um ponto similar com Isaías 40:13 e Romanos 11, isto é, não dizer que não podemos entender, mas dizer que podemos e entendemos, e ao mesmo tempo expressar maravilha diante do que já entendemos. E como em Coríntios 1-2, seu uso também transmite a suposição que não podemos entender a Deus e os seus caminhos sem ou além do que ele relevou – MAS, ele de fato revelou e explicou para nós tudo o que Paulo escreveu, e isso inclui a maioria, se não todos os tópicos que os teólogos freqüentemente chamam de misterioso, paradoxal e incompreensível. Paulo usa Isaías 40:13 para enfatizar a abundância de informação revelada aos crentes e o potencial deles para entendê-la, toda ela.
Paulo não começa sua carta aos Romanos com a incompreensibilidade de Deus, mas chamando a atenção para o quanto já sabemos agora sobre Deus – mesmo os incrédulos tentam suprimir este conhecimento – ao invés de quão pouco podemos saber sobre ele. Na verdade, para muitas pessoas, sua visão do nosso conhecimento é muito otimista para confrontar. Ele declara que até mesmo os incrédulos não podem fugir do conhecimento sobre este Deus, incluindo seu poder e sabedoria na criação (Romanos 1). Mesmo alguns dos princípios morais são inatos no homem (Romanos 2). Por toda parte vemos os incrédulos serem chamados corretamente de ignorantes sobre Deus, visto que suprimem o que sabem sobre ele, e não o conhecem no sentido de ter um relacionamento positivo com ele. Nesse instante o ponto é que Paulo não começa sua carta – ou, nessa questão, quaisquer de suas apresentações – com a incompreensibilidade de Deus. Mas descobrimos que ele freqüentemente começa com a cognoscibilidade de Deus, especialmente quando diz respeito aos cristãos – eles podem e de fato conhecem a Deus, e podem e possuem conhecimento extensivo e correto sobre ele.
Ele escreve em 1 Coríntios 1:21: “Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação”. Deus não pode ser descoberto ou entendido por meio do esforço humano somente, à parte da revelação. Deus se revela por meio do evangelho, que salva aqueles que crêem. Os incrédulos de fato possuem um conhecimento inato de Deus, um conhecimento que Deus colocou neles. Eles não o obtém por sua sabedoria humana. E eles são na verdade tão estúpidos que muitos deles negam esse conhecimento, mesmo quando as suposições no discurso e conduta deles denunciam o contrário. Esse conhecimento universal é suficiente para condená-los, mas insuficiente para iluminá-los para a verdade e produzir fé para com Cristo.
Nosso foco principal, contudo, é sobre como a incompreensibilidade de Deus se aplica aos cristãos. E descobrimos que mesmo antes de 1:21, no início da carta, Paulo diz: “Pois nele vocês foram enriquecidos em tudo, isto é, em toda palavra e em todo conhecimento, porque o testemunho de Cristo foi confirmado entre vocês” (1 Corinthians 1:5-6). Então, no final do segundo capítulo, após citar Isaías 40:13, um versículo freqüentemente usado para afirmar a incompreensibilidade de Deus, ele adiciona: “Nós, porém, temos a mente de Cristo” (2:16). Tudo isso – que embora os incrédulos saibam sobre ele, negam-no, mas que os crentes o conhecem através de sua auto-revelação – é consistente com o que dissemos sobre Romanos 1-2 e 11.
Tomamos outro exemplo do discurso de Paulo aos gregos na Colina de Marte, como registrado em Atos 17. Ali ele começa com uma afirmação confiante de seu próprio conhecimento sobre Deus em contraste com a ignorância dos não-cristãos (v. 23). O restante do seu discurso traz uma semelhança notável com muitas das nossas dogmáticas em esboço e conteúdo. Podemos multiplicar os exemplos. A carta aos Hebreus começa chamando atenção para a revelação verbal de Deus entregue através dos profetas, e agora por meio do Filho (Hebreus 1:1-2). Assim, ela começa com a nossa extensa e crescentemente clara base de dados de conhecimento espiritual, não com ignorância ou incompreensibilidade divina. E João começa sua primeira carta afirmando contato físico com Cristo, a quem, à parte de sensação (Mateus 16:17; João 6:45; 1 Coríntios 2:9-10), ele reconheceu como a Palavra da Vida (1 João 1:1-3). Assim, ele começa com uma afirmação de conhecimento e entendimento direto, não com a ocultação ou incompreensibilidade de Deus.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (novembro/2007)
Colossenses 1:9-14, Parte 6
Primeiro, Paulo ora para que os crentes recebessem sabedoria espiritual com o intuito que essa também produziria boas obras. O fruto natural da sabedoria piedosa é uma vida piedosa, pois essa sabedoria tem dentro dela o conhecimento que define piedade, o entendimento que essa é a maneira como devemos viver, e a percepção em concordar com tudo o que Deus revelou. Assim, a verdadeira sabedoria leva à conduta piedosa, mas o que parece ser uma conduta piedosa é somente tal se for um produto da sabedoria de Deus. Uma conformidade exterior a um preceito de Deus que esteja baseada num motivo mau, ou num falso entendimento, não é piedosa de forma alguma. A conformidade nesse caso é incidental e não intencional. Além do mais, uma vida piedosa não é caracterizada pelo altruísmo somente, mas também por perseverança, paciência, alegria e gratidão.
O primeiro ponto é provavelmente aceitável para a maioria e amplamente enfatizado, mas no segundo ponto devo desafiar um ensino comum. Essa é a idéia que se o conhecimento não levar às boas obras, então o conhecimento é inútil, e se a teologia de alguém não produzir santidade, então a teologia é defeituosa. Juntamente com isso vem a afirmação que o conhecimento está necessariamente amarrado à piedade, e que o único propósito da teologia é produzir uma vida piedosa. (Existem variações desse ensino, mas a idéia básica é a mesma.) Contudo, a Bíblia não ensina isso.
O que acabamos de mencionar é freqüentemente afirmado sobre a base de passagens como Colossenses 1:9-14, na qual Paulo de fato pede sabedoria espiritual para os seus leitores, para que eles “frutifiquem em toda boa obra”. Mas essa é uma inferência falsa e um uso inapropriado da passagem. Contrário ao ensino popular, essa relação não se sustenta da mesma forma quando é revertida – o fato da teologia intentar produzir piedade não torna a teologia inútil quando não existe piedade. Não há necessidade de explicação detalhada. A idéia está simplesmente ausente da passagem.
Nem mesmo 1 Coríntios 13 apóia o ensino. Ali Paulo diz: “Ainda que eu… saiba todos os mistérios e todo o conhecimento… se não tiver amor, nada serei”. Ele não diz que o conhecimento não é nada, ou que a capacidade de saber não é nada, mas que a pessoa que não tem amor não é nada. Teologia é uma revelação da mente de Deus, e como tal possui valor intrínseco, de forma que denegri-la beira a blasfêmia, se já não o for. Quando existe teologia sadia e nenhuma conduta correta, denigramos a pessoa – ela é inútil e desprezível – e não a teologia.
Terceiro, Paulo ora para que os cristãos sejam “cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” (ACF). Diferente de muitos crentes, que exibem humildade fingida ou incredulidade genuína, o apóstolo ora para que seus leitores sejam cheios de conhecimento em toda a sabedoria. Ele pede o máximo para eles – a plenitude – em termos da natureza do conhecimento e a capacidade deles conter e compreendê-lo.
Sem dúvida, mesmo o nosso máximo tem um limite (1 Coríntios 13:12), mas o apóstolo coloca esse limite bem adiante, muito além daqueles que exaltam a doutrina da nossa “mente humana finita” acima da generosidade e promessa de Deus (Tiago 1:5), e seu poder na conversão. Essa plenitude de toda a sabedoria é extensa o suficiente que, se obtida, capacita-nos a “em tudo… agradá-lo, frutificando em toda boa obra” (Colossenses 1:9-10), servi-lo com “todo o poder” e “toda a perseverança” (v. 11). A oração de Paulo é por plenitude em conhecimento, santidade e poder. Visto que essa oração foi escrita sob inspiração divina, mesmo se não obtivermos tal plenitude, nunca devemos sugerir que isso seja impossível em princípio.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (novembro/2007)
