Em todo caso, as pessoas tendem a identificar Cristo como um dos profetas no passado. Alguns dizem que ele é João o Batista, talvez porque ele também veio pregando fé e arrependimento. Alguns dizem que ele é Elias, talvez por causa da quantidade e magnitude dos milagres estavam associados ao seu ministério, e por ter vindo para voltar de novo o coração do povo para Deus. E alguns dizem que ele é Jeremias, talvez porque permanecia sozinho contra as instituições e tradições religiosas dos seus dias, declarando a futilidade da piedade externa que não procede de uma realidade interna. Como nos dias de Jeremias, o povo derivava sua segurança dos rituais no templo e tradições humanas, e com isso tinham rejeitado as demandas de fé, misericórdia e justiça da parte de Deus.
Não importando quão positivas possam ser tais opiniões, elas estão aquém da verdade sobre a pessoa de Jesus Cristo. Um pregador ordinário dificilmente poderia receber maior lisonjeio do que ser chamado de um Elias ou um Jeremias, mas ao Senhor isso seria mais como insultos do que elogios. A verdade é, como Pedro declararia num momento, que ele era “o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Ele é o maior de todos os profetas, e o cumprimento de todas as suas profecias. Ele permanece numa classe por si só, e falhando em ver isso, as pessoas carecem de uma categoria existente com a qual poderiam classificá-lo. Assim, é suposto que eles vêem em Cristo algo dos espíritos dos profetas, mas o que eles falham em captar e expressar é que eles vêem em cada um dos profetas algo do espírito de Cristo, que falava por meio deles concernente a si mesmo. Portanto, alguém que diz que Cristo não é nada mais que um profeta, mesmo se o maior de todos os profetas, desonra e difama do Filho de Deus. Não há salvação e promessa em tal confissão. Por esse padrão julgamos as pessoas e as religiões do mundo.
Jesus não assume que seus discípulos compartilham as positivas, embora inadequadas opiniões das pessoas, de forma que pergunta: ““E vocês? Quem vocês dizem que eu sou?” Pedro responde: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. A isso Jesus responde: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus”. Dissipando as tradições propagadas pela sociedade, as confusões entre o povo, as oposições dos líderes religiosos, e as questões dentre os próprios discípulos, Deus o Pai revelou seu Filho soberanamente aos apóstolos, e aqui especificamente a Pedro.
Ele diz que a confissão de Pedro procede de uma revelação que vem de Deus, e não do homem, uma que procede do espírito, e não da carne. Isso poderia significar que Jesus até aqui nunca tinha alegado ser o Cristo, ou nunca tinha dado qualquer indicação que ele fosse o Cristo, e agora o Pai tinha revelado a informação necessária a Pedro, à parte de qualquer meio natural, bem como fez com que ele assentisse a essa informação revelada. Tomada por si só, a declaração do Senhor não exclui essa interpretação. É certamente possível para Deus revelar Cristo a um indivíduo à parte da pregação de um homem. Isso não é dizer que Cristo é revelado à parte da “palavra”, mas apenas que Deus estaria revelando (ou mesmo pregando) sua palavra diretamente ao espírito do homem. A Escritura nunca indica que isso é impossível, mesmo que seja incomum.
Todavia, vemos que essa é uma interpretação improvável do versículo quando consideramos o que ocorreu no Evangelho de Mateus. Por volta de Mateus 2, João o Batista tinha apontado Jesus como o Cristo, aquele que batizaria o seu povo com o Espírito Santo, e aquele cuja justiça perfeita era tal que não requeria dele arrependimento ou batismo em água. E uma voz do céu anunciou: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (v. 17). Em Mateus 7, é suposto por alguns que eles poderiam chamá-lo de “Senhor, Senhor” e entrar no reino dos céus. Jesus implica que alguns entrarão, mas somente aqueles que também fazem a vontade do Pai (v. 21). Assim, Jesus reconhece que Ele é a chave confessional para a salvação, mas ele requer uma confissão verdadeira que resulte em obediência (Lucas 6:46). É possível também profetizar, expulsar demônios, e operar milagres em seu nome (Mateus 7:22-23), implicando que ele não é mero profeta. O versículo 29 indica que ele é diferente dos mestres da lei, mas ele é “como quem tem autoridade.”
Em Mateus 8, Jesus acalma a tempestade com uma palavra, de forma que os discípulos exclamam: “Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (v. 27). Quando os demônios o viam, eles gritavam: “Que queres conosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do devido tempo?” (v. 29). Ele declara em Mateus 10: “Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus” (v. 32-33). E ainda mais significante para o nosso contexto, ele diz em Mateus 11: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar” (v. 27). Então, em Mateus 12, ele chama a si mesmo de “o Senhor do sábado”, que é “maior do que o templo” (v. 6, 8).
É desnecessário multiplicar os exemplos. Não é que Cristo nunca tenha ensinado sobre si mesmo, ou que ele nunca tenha dado alguma indicação de sua natureza e identidade. As pessoas falharam em reconhecê-lo corretamente, não por falta de explicação, e nem por não tinha havido nenhuma demonstração. Pelo contrário, tinha havido múltiplas explicações explícitas e inúmeras demonstrações espetaculares. Em Mateus 13, Jesus fala o porquê as pessoas não o reconheceram, dizendo: Neles se cumpre a profecia de Isaías: ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês nunca entenderão; ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão” (v. 14). Ou, como Paulo coloca: “Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).
Assim, não é que Cristo não tenha explicado sua natureza e demonstrado seu poder, mas que a percepção espiritual não tinha sido concedida ao povo. Ele diz em João 6: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão ensinados por Deus’. Todos os que ouvem o Pai e dele aprendem vêm a mim” (v. 44-45). Portanto, com ou sem explicações, e com ou sem demonstrações, uma pessoa vem a Cristo quando o Pai realiza uma obra direta em seu coração, fazendo-o perceber e crer na verdade sobre Cristo, que ele é o Filho de Deus, e aquele que redime o sue povo através de um sacrifício expiatório.
Essa é a razão básica do porquê uma pessoa crer em Cristo e a outra não. Eu chego a uma pessoa e digo: “Arrependa-se, e creia no evangelho!” E se Deus a capacitar para perceber a verdade e gerar fé nela, então essa pessoa será convertida e confessará a Cristo como Senhor. Pode até ser o caso dessa pessoa ter ouvido o evangelho inúmeras vezes antes, mas até agora Deus não tinha revelado Cristo diretamente ao seu coração. Se sim, a pessoa poderia exclamar: “É claro que é assim! Sem dúvida esse Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, que tomou a carne humana para morrer pelos pecados do seu povo. Pensei que eu fosse sábio – racional, científico e tudo o mais – mas tenho sido o maior tolo do mundo até hoje. Agora vejo que somente um imbecil negaria a verdade da religião cristã.” Assim, uma pessoa chega à fé por meio de uma mensagem simples que contém pouca explicação ou argumento.
Por outro lado, posso sentar por muitas horas com outra pessoa, e apresentar toda a fé cristã a ela de uma forma sistemática, fornecendo uma justificação racional para cada alegação e premissa, ora defendendo essa afirmação, ora refutando aquela objeção, até que tenha obtido uma vitória total sobre sua obstinação, e até que sua mente e corpo tenha chegado ao um ponto de exaustão. E ainda assim, ela poderia falhar em perceber a verdade sobre Cristo, fracassando assim em crer e confessar a Jesus Cristo. O defeito não está em Deus, em mim, na mensagem, ou na apresentação, mas no incrédulo. Eu posso colocar Cristo diante dos seus olhos, e ele fracassará em percebê-lo. Eu posso colocar o evangelho em seus ouvidos, e ele não entenderá. Oh, não-cristão estúpido! Quem te livrará do seu retardamento mental? O incrédulo é uma pessoa arruinada, deficiente e estúpida.
Dito isso, não devemos concluir que toda a nossa pregação e argumentação é inútil. A responsabilidade humana é determinada pelo mandamento divino, e não pelo efeito antecipado da nossa ação. Paulo escreve: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer; de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento” (1 Coríntios 3:6-7). Ele não conclui a partir disso que ele deveria parar de plantar e Apolo de regar. Não, somos dirigidos pelo mandamento, e não pelo efeito. E Deus nos manda pregar a palavra, defender a sã doutrina, e refutar aqueles que se opõem. Seja qual for o efeito numa circunstancia particular, a pregação e argumentação correta honra a Deus, e ele freqüentemente usa-as para efetuar o seu propósito, ou como o meio pelo qual ele muda o coração do homem.
Assim, a pregação e argumentação são muito necessárias, mas é Deus quem determina o efeito. Embora Pedro tinha sido exposto a explicações e demonstrações concernentes à verdade sobre Cristo, ele nem sempre percebeu e confessou essa verdade. Não foi até que o pai revelou Cristo diretamente a ele que a verdade finalmente rompeu em seu coração como o nascer-do-sol dissipa as trevas da noite. “Pois Deus, que disse: ‘Das trevas resplandeça a luz, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da gloria de Deus na face de Cristo” (2 Coríntios 4:6).
Pedro não faz sua confissão à parte de explicação e evidência. Na verdade, tinha havido plenitude de explicação e evidência, e elas logicamente necessitavam de confissão. Contudo, embora a confissão seja racional, o homem nem sempre é racional. Antes da revelação de Deus fazer a percepção brotar em seu coração, Pedro foi incapaz de perceber a verdade, mesmo quando a explicação e evidência sobre Cristo foram lhe apresentadas dia após dia.
Portanto, embora a verdade e a razão estejam do nosso lado, porque Deus endurece o réprobo tolo e irracional, nenhum argumento pode convencê-lo. E porque Deus preserva o eleito, cuja mente tem sido iluminada para perceber e crer na verdade, nenhuma objeção pode dissuadi-lo. Não é que os esforços do homem não tenham significado, mas sim que esses esforços por si só não produzem o efeito, seja fé ou incredulidade. Antes, Deus freqüentemente usa os esforços do homem para realizar o seu propósito, quer para converter ou endurecer, embora ele seja capaz de produzir o mesmo efeito à parte de tais esforços. Isso é crucial para o nosso entendimento e aplicação do versículo 8. Veremos que essa verdade não deveria levar a um sentimento de futilidade e desânimo, mas sim de confiança e invencibilidade.
Não importando quão positivas possam ser tais opiniões, elas estão aquém da verdade sobre a pessoa de Jesus Cristo. Um pregador ordinário dificilmente poderia receber maior lisonjeio do que ser chamado de um Elias ou um Jeremias, mas ao Senhor isso seria mais como insultos do que elogios. A verdade é, como Pedro declararia num momento, que ele era “o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Ele é o maior de todos os profetas, e o cumprimento de todas as suas profecias. Ele permanece numa classe por si só, e falhando em ver isso, as pessoas carecem de uma categoria existente com a qual poderiam classificá-lo. Assim, é suposto que eles vêem em Cristo algo dos espíritos dos profetas, mas o que eles falham em captar e expressar é que eles vêem em cada um dos profetas algo do espírito de Cristo, que falava por meio deles concernente a si mesmo. Portanto, alguém que diz que Cristo não é nada mais que um profeta, mesmo se o maior de todos os profetas, desonra e difama do Filho de Deus. Não há salvação e promessa em tal confissão. Por esse padrão julgamos as pessoas e as religiões do mundo.
Jesus não assume que seus discípulos compartilham as positivas, embora inadequadas opiniões das pessoas, de forma que pergunta: ““E vocês? Quem vocês dizem que eu sou?” Pedro responde: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. A isso Jesus responde: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus”. Dissipando as tradições propagadas pela sociedade, as confusões entre o povo, as oposições dos líderes religiosos, e as questões dentre os próprios discípulos, Deus o Pai revelou seu Filho soberanamente aos apóstolos, e aqui especificamente a Pedro.
Ele diz que a confissão de Pedro procede de uma revelação que vem de Deus, e não do homem, uma que procede do espírito, e não da carne. Isso poderia significar que Jesus até aqui nunca tinha alegado ser o Cristo, ou nunca tinha dado qualquer indicação que ele fosse o Cristo, e agora o Pai tinha revelado a informação necessária a Pedro, à parte de qualquer meio natural, bem como fez com que ele assentisse a essa informação revelada. Tomada por si só, a declaração do Senhor não exclui essa interpretação. É certamente possível para Deus revelar Cristo a um indivíduo à parte da pregação de um homem. Isso não é dizer que Cristo é revelado à parte da “palavra”, mas apenas que Deus estaria revelando (ou mesmo pregando) sua palavra diretamente ao espírito do homem. A Escritura nunca indica que isso é impossível, mesmo que seja incomum.
Todavia, vemos que essa é uma interpretação improvável do versículo quando consideramos o que ocorreu no Evangelho de Mateus. Por volta de Mateus 2, João o Batista tinha apontado Jesus como o Cristo, aquele que batizaria o seu povo com o Espírito Santo, e aquele cuja justiça perfeita era tal que não requeria dele arrependimento ou batismo em água. E uma voz do céu anunciou: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (v. 17). Em Mateus 7, é suposto por alguns que eles poderiam chamá-lo de “Senhor, Senhor” e entrar no reino dos céus. Jesus implica que alguns entrarão, mas somente aqueles que também fazem a vontade do Pai (v. 21). Assim, Jesus reconhece que Ele é a chave confessional para a salvação, mas ele requer uma confissão verdadeira que resulte em obediência (Lucas 6:46). É possível também profetizar, expulsar demônios, e operar milagres em seu nome (Mateus 7:22-23), implicando que ele não é mero profeta. O versículo 29 indica que ele é diferente dos mestres da lei, mas ele é “como quem tem autoridade.”
Em Mateus 8, Jesus acalma a tempestade com uma palavra, de forma que os discípulos exclamam: “Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (v. 27). Quando os demônios o viam, eles gritavam: “Que queres conosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do devido tempo?” (v. 29). Ele declara em Mateus 10: “Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus” (v. 32-33). E ainda mais significante para o nosso contexto, ele diz em Mateus 11: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar” (v. 27). Então, em Mateus 12, ele chama a si mesmo de “o Senhor do sábado”, que é “maior do que o templo” (v. 6, 8).
É desnecessário multiplicar os exemplos. Não é que Cristo nunca tenha ensinado sobre si mesmo, ou que ele nunca tenha dado alguma indicação de sua natureza e identidade. As pessoas falharam em reconhecê-lo corretamente, não por falta de explicação, e nem por não tinha havido nenhuma demonstração. Pelo contrário, tinha havido múltiplas explicações explícitas e inúmeras demonstrações espetaculares. Em Mateus 13, Jesus fala o porquê as pessoas não o reconheceram, dizendo: Neles se cumpre a profecia de Isaías: ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês nunca entenderão; ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão” (v. 14). Ou, como Paulo coloca: “Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).
Assim, não é que Cristo não tenha explicado sua natureza e demonstrado seu poder, mas que a percepção espiritual não tinha sido concedida ao povo. Ele diz em João 6: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão ensinados por Deus’. Todos os que ouvem o Pai e dele aprendem vêm a mim” (v. 44-45). Portanto, com ou sem explicações, e com ou sem demonstrações, uma pessoa vem a Cristo quando o Pai realiza uma obra direta em seu coração, fazendo-o perceber e crer na verdade sobre Cristo, que ele é o Filho de Deus, e aquele que redime o sue povo através de um sacrifício expiatório.
Essa é a razão básica do porquê uma pessoa crer em Cristo e a outra não. Eu chego a uma pessoa e digo: “Arrependa-se, e creia no evangelho!” E se Deus a capacitar para perceber a verdade e gerar fé nela, então essa pessoa será convertida e confessará a Cristo como Senhor. Pode até ser o caso dessa pessoa ter ouvido o evangelho inúmeras vezes antes, mas até agora Deus não tinha revelado Cristo diretamente ao seu coração. Se sim, a pessoa poderia exclamar: “É claro que é assim! Sem dúvida esse Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, que tomou a carne humana para morrer pelos pecados do seu povo. Pensei que eu fosse sábio – racional, científico e tudo o mais – mas tenho sido o maior tolo do mundo até hoje. Agora vejo que somente um imbecil negaria a verdade da religião cristã.” Assim, uma pessoa chega à fé por meio de uma mensagem simples que contém pouca explicação ou argumento.
Por outro lado, posso sentar por muitas horas com outra pessoa, e apresentar toda a fé cristã a ela de uma forma sistemática, fornecendo uma justificação racional para cada alegação e premissa, ora defendendo essa afirmação, ora refutando aquela objeção, até que tenha obtido uma vitória total sobre sua obstinação, e até que sua mente e corpo tenha chegado ao um ponto de exaustão. E ainda assim, ela poderia falhar em perceber a verdade sobre Cristo, fracassando assim em crer e confessar a Jesus Cristo. O defeito não está em Deus, em mim, na mensagem, ou na apresentação, mas no incrédulo. Eu posso colocar Cristo diante dos seus olhos, e ele fracassará em percebê-lo. Eu posso colocar o evangelho em seus ouvidos, e ele não entenderá. Oh, não-cristão estúpido! Quem te livrará do seu retardamento mental? O incrédulo é uma pessoa arruinada, deficiente e estúpida.
Dito isso, não devemos concluir que toda a nossa pregação e argumentação é inútil. A responsabilidade humana é determinada pelo mandamento divino, e não pelo efeito antecipado da nossa ação. Paulo escreve: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer; de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento” (1 Coríntios 3:6-7). Ele não conclui a partir disso que ele deveria parar de plantar e Apolo de regar. Não, somos dirigidos pelo mandamento, e não pelo efeito. E Deus nos manda pregar a palavra, defender a sã doutrina, e refutar aqueles que se opõem. Seja qual for o efeito numa circunstancia particular, a pregação e argumentação correta honra a Deus, e ele freqüentemente usa-as para efetuar o seu propósito, ou como o meio pelo qual ele muda o coração do homem.
Assim, a pregação e argumentação são muito necessárias, mas é Deus quem determina o efeito. Embora Pedro tinha sido exposto a explicações e demonstrações concernentes à verdade sobre Cristo, ele nem sempre percebeu e confessou essa verdade. Não foi até que o pai revelou Cristo diretamente a ele que a verdade finalmente rompeu em seu coração como o nascer-do-sol dissipa as trevas da noite. “Pois Deus, que disse: ‘Das trevas resplandeça a luz, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da gloria de Deus na face de Cristo” (2 Coríntios 4:6).
Pedro não faz sua confissão à parte de explicação e evidência. Na verdade, tinha havido plenitude de explicação e evidência, e elas logicamente necessitavam de confissão. Contudo, embora a confissão seja racional, o homem nem sempre é racional. Antes da revelação de Deus fazer a percepção brotar em seu coração, Pedro foi incapaz de perceber a verdade, mesmo quando a explicação e evidência sobre Cristo foram lhe apresentadas dia após dia.
Portanto, embora a verdade e a razão estejam do nosso lado, porque Deus endurece o réprobo tolo e irracional, nenhum argumento pode convencê-lo. E porque Deus preserva o eleito, cuja mente tem sido iluminada para perceber e crer na verdade, nenhuma objeção pode dissuadi-lo. Não é que os esforços do homem não tenham significado, mas sim que esses esforços por si só não produzem o efeito, seja fé ou incredulidade. Antes, Deus freqüentemente usa os esforços do homem para realizar o seu propósito, quer para converter ou endurecer, embora ele seja capaz de produzir o mesmo efeito à parte de tais esforços. Isso é crucial para o nosso entendimento e aplicação do versículo 8. Veremos que essa verdade não deveria levar a um sentimento de futilidade e desânimo, mas sim de confiança e invencibilidade.

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