A fé e amor dos colossenses é “por causa da” esperança que está reservada nos céus, e eles ouviram a respeito dessa esperança “por meio da palavra da verdade, o evangelho” (v. 5). Este evangelho é uma mensagem sobre a graça de Deus, produzindo fruto que consiste de fé, amor e esperança, uma vez que é ouvida e entendida (v. 6). E ela é ouvida e entendida quando uma pessoa a ensina a uma audiência (v. 7).
Porque a fé cristã é transmitida quando é explicada e entendida, ela é intelectual em sua natureza. Podemos pensar e falar sobre ela. Podemos explicá-la e entendê-la. A idéia que fé é “agarrada, não ensinada” é contra todo o espírito da religião cristã, e é também um assalto à revelação verbal da Escritura. A verdadeira piedade começa e cresce de uma maneira precisamente oposta – ela é ensinada, e não agarrada. A idéia que a graça de Deus está além do nosso entendimento vem de uma falsa humildade e uma rejeição da natureza do evangelho, em favor de tradição e filosofia humana sobre a “incompreensibilidade” de Deus. Alguém que não entende algo sobre a graça de Deus não pode crer nela, pois nada haverá no que crer, de forma que tal pessoa não é um cristão de forma alguma.
Um comentarista observa que Paulo não inclui “conhecimento” na lista de coisas que caracterizam a fé cristã, mas “ele deliberadamente omite a palavra ‘conhecimento’ por causa do aspecto do ‘conhecimento especial’ da heresia”, isto é, a heresia do Gnosticismo. Mas dizer isso é tão enganoso que quase deveria ser considerado uma heresia. Paulo representa “a palavra da verdade” como o fundamento da vida inteira de fé, amor e esperança do cristão. Ela é a informação sobre a graça de Deus que é “aprendida” e “entendida” pela mente, de forma que possa produzir os efeitos pretendidos naqueles que a afirmam.
O restante da carta continua a martelar sobre o papel essencial do conhecimento na religião cristã repetidamente. Esse é um dos temas principais da carta. No versículo 9 Paulo já está orando para os seus leitores serem “cheios de conhecimento” – não apenas ter o mínimo, mas serem cheios dele. O comentarista acima admite: “Em Cl. 1:9, Paulo orou para que eles fossem cheios com o conhecimento da vontade de Deus”, e adiciona, “não algum conhecimento (gnosis) especulativo e intelectual dos heréticos e seu falso ensino”.
Mas então, o que acontece com sua observação que Paulo não adiciona conhecimento à fé, amor e esperança? Essa é uma observação enganosa. Conhecimento produz e sustenta a fé, amor e esperança. O comentarista parece pensar que Paulo desenfatiza o conhecimento para fazer um contraste entre Cristianismo e Gnosticismo (ou tendências que acabariam em Gnosticismo). Mas Paulo de fato faz algo muito diferente – ele enfatiza o conhecimento ainda mais que o Gnosticismo, mas esse conhecimento é a “verdade” (v. 5-6), transmitida na mensagem do evangelho.
O comentarista parece que leu nas cartas de Paulo uma estratégia de rendição e suicídio espiritual que os cristãos algumas vezes empregam. Em essência, essa é a prática que diz: “Eu matarei minhas crenças para contrariar as suas”. Contudo, Paulo não defende o Cristianismo negando o seu próprio fundamento – isto é, o verdadeiro conhecimento - mas antes o enfatiza ainda mais e contrasta-o com o impostor. Como o comentarista diz, o conhecimento de Paulo não é o “conhecimento especulativo ou intelectual dos heréticos”. Embora o Cristianismo não seja especulativo, como a ciência e filosofia não-cristã, ele é um conhecimento intelectual, visto que conhecimento por definição é intelectual. Alguém não pode “conhecer” algo de uma forma não-intelectual, como se à parte do intelecto ou mente.
O Cristianismo é uma religião intelectual, nem sempre no sentido acadêmico ou profissional, visto que qualquer pessoa ordinária deveria ser capaz de entendê-lo, mas é intelectual no sentido da mente, para ser ensinado e aprendido. Podemos discutir, pensar, lembrar e debater sobre ele. O evangelismo e ensino cristão são possíveis somente quando a natureza intelectual dessa religião é reconhecida e enfatizada.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (outubro/2007)
Porque a fé cristã é transmitida quando é explicada e entendida, ela é intelectual em sua natureza. Podemos pensar e falar sobre ela. Podemos explicá-la e entendê-la. A idéia que fé é “agarrada, não ensinada” é contra todo o espírito da religião cristã, e é também um assalto à revelação verbal da Escritura. A verdadeira piedade começa e cresce de uma maneira precisamente oposta – ela é ensinada, e não agarrada. A idéia que a graça de Deus está além do nosso entendimento vem de uma falsa humildade e uma rejeição da natureza do evangelho, em favor de tradição e filosofia humana sobre a “incompreensibilidade” de Deus. Alguém que não entende algo sobre a graça de Deus não pode crer nela, pois nada haverá no que crer, de forma que tal pessoa não é um cristão de forma alguma.
Um comentarista observa que Paulo não inclui “conhecimento” na lista de coisas que caracterizam a fé cristã, mas “ele deliberadamente omite a palavra ‘conhecimento’ por causa do aspecto do ‘conhecimento especial’ da heresia”, isto é, a heresia do Gnosticismo. Mas dizer isso é tão enganoso que quase deveria ser considerado uma heresia. Paulo representa “a palavra da verdade” como o fundamento da vida inteira de fé, amor e esperança do cristão. Ela é a informação sobre a graça de Deus que é “aprendida” e “entendida” pela mente, de forma que possa produzir os efeitos pretendidos naqueles que a afirmam.
O restante da carta continua a martelar sobre o papel essencial do conhecimento na religião cristã repetidamente. Esse é um dos temas principais da carta. No versículo 9 Paulo já está orando para os seus leitores serem “cheios de conhecimento” – não apenas ter o mínimo, mas serem cheios dele. O comentarista acima admite: “Em Cl. 1:9, Paulo orou para que eles fossem cheios com o conhecimento da vontade de Deus”, e adiciona, “não algum conhecimento (gnosis) especulativo e intelectual dos heréticos e seu falso ensino”.
Mas então, o que acontece com sua observação que Paulo não adiciona conhecimento à fé, amor e esperança? Essa é uma observação enganosa. Conhecimento produz e sustenta a fé, amor e esperança. O comentarista parece pensar que Paulo desenfatiza o conhecimento para fazer um contraste entre Cristianismo e Gnosticismo (ou tendências que acabariam em Gnosticismo). Mas Paulo de fato faz algo muito diferente – ele enfatiza o conhecimento ainda mais que o Gnosticismo, mas esse conhecimento é a “verdade” (v. 5-6), transmitida na mensagem do evangelho.
O comentarista parece que leu nas cartas de Paulo uma estratégia de rendição e suicídio espiritual que os cristãos algumas vezes empregam. Em essência, essa é a prática que diz: “Eu matarei minhas crenças para contrariar as suas”. Contudo, Paulo não defende o Cristianismo negando o seu próprio fundamento – isto é, o verdadeiro conhecimento - mas antes o enfatiza ainda mais e contrasta-o com o impostor. Como o comentarista diz, o conhecimento de Paulo não é o “conhecimento especulativo ou intelectual dos heréticos”. Embora o Cristianismo não seja especulativo, como a ciência e filosofia não-cristã, ele é um conhecimento intelectual, visto que conhecimento por definição é intelectual. Alguém não pode “conhecer” algo de uma forma não-intelectual, como se à parte do intelecto ou mente.
O Cristianismo é uma religião intelectual, nem sempre no sentido acadêmico ou profissional, visto que qualquer pessoa ordinária deveria ser capaz de entendê-lo, mas é intelectual no sentido da mente, para ser ensinado e aprendido. Podemos discutir, pensar, lembrar e debater sobre ele. O evangelismo e ensino cristão são possíveis somente quando a natureza intelectual dessa religião é reconhecida e enfatizada.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (outubro/2007)

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