domingo, outubro 21, 2007

Colossenses 1:3-8, Parte 4

A esperança cristã também é específica, uma esperança que “está reservada nos céus”. Temos visto que fé pode ser usada num sentido objetivo, como em “fé cristã”, ou num sentido subjetivo, como em “fé que vocês têm em Cristo”. Da mesma forma, há um sentido objetivo para esperança, e um subjetivo também. Mesmo quando usada em seu sentido subjetivo, a esperança do evangelho é muito mais que uma expectativa geral ou desejo por um futuro positivo, ou ansiar por algo. Um mero desejo freqüentemente não tem base para o seu cumprimento, e fora da promessa do evangelho, a natureza do que é desejado está longe da herança do crente em sua glória e pureza. Por outro lado, a esperança cristã reside na promessa de Deus e a realidade da redenção.

Em todo caso, embora fé seja usada no sentido subjetivo nessa passagem, esperança é usada no sentido objetivo – a importância disso será notada num instante. Isso é evidente porque, primeiro, uma esperança subjetiva é uma atitude, condição ou disposição da mente – novamente, não necessária e proporcionalmente conectada com um distúrbio da mente, ou uma emoção – mas aqui a esperança está reservada no céu, não na mente. Segundo, Paulo diz que os colossenses “ouviram” falar desta esperança, não sendo assim algo que é experimentado, sentido, opinado ou afirmado na mente, mas algo proclamado e descrito. E terceiro, se podemos igualar o que os crentes receberam nos versículos 5 e 12, então essa “esperança” é dita ser uma “herança”, que é algo objetivo, não subjetivo.

Embora essa esperança esteja reservada no céu, de forma que os benefícios plenos estão reservados para um tempo futuro, através do Espírito Santo desfrutamos agora dos poderes da era vindoura. Além disso, ela está reservada no céu não no sentido de ser guardada de nós, mas de reservada para nós. Não é algo que desejamos ou trabalhamos por – não é uma possibilidade, mas uma realidade. Deus pré-ordenou a nossa salvação, e nada pode tirar nossa herança, pois ninguém pode nos arrebatar de sua mão. Essa esperança objetiva é o fundamento da nossa fé subjetiva. A importância, contudo, é que nossa fé não é baseada numa presunção ou possibilidade, mas num destino e realidade.

Uma forma de usar essas três palavras para incorporar um curso de dogmática é colocar o aspecto doutrinário do Cristianismo sob fé, o ético sob amor, e o escatológico sob esperança. Essas distinções são significantes, mas não precisas ou perfeitas, pois o ético e o escatológico também podem cair sob o doutrinário, de forma que a religião inteira pode ser chamada a cristã. Também, quando usadas nesse contexto, todas as três palavras tomariam seu sentido objetivo.

Dizemos que a religião cristã é caracterizada por essas três coisas, mas as outras religiões também oferecem fé, amor e esperança? Quando propriamente definidas, vemos que não. Novamente, Paulo não se refere a alguma fé ou crença geral sem consideração ao seu objeto. A fé aqui é “fé em Cristo Jesus”. Se os não-cristãos pudessem ter fé em Cristo Jesus no sentido especificado na Escritura, então já seriam cristãos. Os não-cristãos não possuem fé. E visto que o amor inclui obediência aos mandamentos de Deus como revelados na Bíblia cristã, então nenhuma religião, filosofia ou visão ética não-cristã pode oferecer ou produzir o verdadeiro amor. Os não-cristãos não têm amor. Contudo, observe que quase todas as filosofias não-cristãs – desde o Budismo ao Satanismo – podem conter amor, se esse for definido como algum tipo de emoção. Então, nossa esperança refere-se à “herança” dos santos como prometida na Escritura, reservada para nós no céu descrito na Escritura. Ela é específica e exclusiva. Assim, não existe fé, amor e esperança, senão na religião cristã.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto (outubro/2007)

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