1 Pedro 2:18-20
“Escravos, sujeitem-se a seus senhores com todo o respeito, não apenas aos bons e amáveis, mas também aos maus. Porque é louvável que, por motivo de sua consciência para com Deus, alguém suporte aflições sofrendo injustamente. Pois, que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido o mal? Mas se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus”.
As pessoas são altamente sensíveis quando diz respeito ao assunto de escravidão. Vendo como a escravidão pode envolver grande crueldade de um lado e grande sofrimento de outros, talvez eles devessem ser mais sensíveis sobre ela. Contudo, algumas vezes elas podem chegar ao ponto onde não ouvirão nenhum argumento, não farão nenhuma distinção, e recusaram todas as discussões sobre o assunto que não afirmar seu entendimento da escravidão e sua oposição a ela. Que a “escravidão” sem qualificação é má tornou-se uma suposição inegociável pela qual as outras idéias são julgadas, de forma que alguns atacam a Bíblia sobre esse assunto, tanto sobre o que ela diz como sobre o que ela não diz. E para aqueles cristãos que têm falhado em fazer da verdade o ponto de partida do seu pensamento, o assunto pode algumas vezes causar-lhes grande confusão e embaraço.
Sempre que entramos numa discussão sobre um assunto ético ou social sensível, devemos primeiro guardar em mente que a metafísica precede logicamente a ética. Isto é, nossa visão da realidade é o fundamento necessário para nossa visão da moralidade. A verdade que de que existe um Deus (e que é inconcebível que não exista nenhum Deus, de forma que afirmar que ele existe é meramente trazer o fato necessário à nossa atenção, e não implica que é possível afirmar que ele não exista), que ele é da forma como é, que ele criou tudo o que existe, que existe espírito e matéria, que ele pré-ordenou todas as coisas, que ele controla diretamente todas as coisas, que ele conhece todas as cosias, que as assim chamadas causas secundárias de fato não possuem nenhum poder causativo inerente em si mesmas, que ele é o único padrão de certo e errado, que ele fez o homem à sua imagem, que ele decidiu julgar cada pessoa, e assim por diante: tudo isso determina o que podemos deduzir sobre ética.
Por exemplo, podemos considerar a questão: Que tipo de mundo é este, no qual o assassinato é imoral? É um mundo no qual Deus reina supremo, no qual ele é o criador de todas as coisas, no qual ele é o único padrão de certo e errado; no qual ele fez o homem à sua imagem, no qual o homem pecou e caiu, no qual Deus ordenou que o homem não cometesse assassinato, e no qual assinar é atacar a imagem de Deus e transgredir o mandamento de Deus. Neste tipo de mundo, e admitidamente o único tipo de mundo que existe, o assassinato é imoral. Mas na ilha da fantasia do incrédulo, no qual os homens vieram de um processo impossível de evolução, ou no qual o mundo é explicado por alguma outra fábula absurda, mesmo que o assassinato seja indesejável para a vítima, o incrédulo não tem nenhuma razão sólida para nos diz o porquê tal ato é imoral.
Assim, nunca devemos começar com um princípio ético e então encontrar uma visão de realidade que combine com o mesmo. Nem podemos tomar um princípio ético e testar uma cosmovisão com ele, visto que precisamos de uma cosmovisão antes de poder ter um princípio ético em primeiro lugar. O que acontece é que, quando diz respeito a um assunto ético sensível, as pessoas freqüentemente fazem da sua visão sobre o assunto o ponto de partida inegociável, e então julgam e filtram tudo o mais através dele. O resultado é que eles se tornam cegos a todos os argumentos e distinções, e quando a Escritura está envolvida, eles se tornam cegos para o seu contexto, significado e aplicação.
Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto

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