domingo, janeiro 14, 2007

Comentário sobre Gálatas (0)


INTRODUÇÃO

Muitos dos documentos do Novo Testamento são cartas ocasionais. Isso significa que elas foram escritas em resposta a algumas questões, problemas e circunstâncias que estavam presentes naquele momento. Quando Paulo escreve sua carta à Galácia, as igrejas tinham sido infiltradas por falsos mestres, ou judaizantes, que persuadiam os conversos de que, a fim de estarem em paz com Deus, e para serem salvos, era necessário que se tornassem judeus. Isso significava submissão ao ritual da circuncisão e à lei de Moises. Alem do mais, no processo de afastar os gálatas do evangelho, parece que esses falsos mestres tinham introduzido duvidas com respeito às qualificações, autoridade e motivação de Paulo. Portanto, em sua defesa do evangelho, o apóstolo deve defender também seu ministério.

Paulo percebe que ao adotar a doutrina dos judaizantes, os gálatas tinham se apartado do evangelho que foi primeiro pregado a eles. Essa é a mensagem da justificação pela fé somente - isto é, uma pessoa é tornada justa de acordo com o padrão divino somente por causa da graça soberana de Deus e da obra expiatória de Cristo à parte da linhagem, decisão e esforço humano. Visto que essa mensagem é pivô para a salvação, e uma que divide a verdadeira religião da falsa religião, Paulo escreve sua carta para fornecer um corretivo para essa questão urgente.

Além do fato de ser produto da revelação divina, o significado duradouro dessa carta é assegurado por diversos fatores. Primeiro, ela dá uma clara declaração do cerne do evangelho, que somos salvos pela fé na pessoa e obra de Jesus Cristo, uma fé que vem como um dom soberano de Deus, e não por meio de obediência à lei ou ao esforço da carne. Segundo, ela define para nós o lugar que esse ensino tem no aspecto das doutrinas bíblicas, e de fato, no espectro de todas as idéias já introduzidas à humanidade. O terceiro ponto segue de perto o segundo, à medida que o apóstolo modela para nós o tipo de vigilância feroz com a qual devemos guardar essa doutrina, a maldição última com a qual devemos atacar e condenar seus detratores, e a reprimenda dura com a qual devemos admoestar aqueles que se apartam dela. Em tudo isso, o apóstolo exibe várias suposições que também carregam significado para a nossa doutrina e ministério.

O que segue é um comentário conciso e flexível sobre a carta. Seu propósito não é apresentar uma exegese detalhada, mas fornecer uma ajuda para a leitura e reflexão. Portanto, embora minha própria preparação para o comentário tenha incluído uma pesquisa cuidadosa sobre o texto para assegurar uma exposição fiel, o produto excluirá a maioria dos detalhes.

Visto que Gálatas contém muito sobre a doutrina da justificação pela fé, naturalmente a discutiremos. Contudo, como já expus extensivamente essa doutrina (e várias outras encontradas em Gálatas), em vários lugares e de diversas formas,1 tomarei a liberdade de construir sobre essas publicações anteriores sem fazer repetições constantes ou reiterações longas com respeito a doutrina.

Isso não é minar a importância da doutrina ou da prática da repetição, mas é uma reflexão sobre a natureza dessa obra, que conscientemente constrói sobre os nossos materiais anteriores de forma que possa permanecer concisa e flexível. Assim, no que segue assumirei que os leitores estão familiarizados com minhas publicações anteriores ou que tenham fácil acesso a elas. De fato, embora iremos gastar tempo sobre o tópico que o texto ditar, assumirei que a audiência principal dessa obra consiste de crentes que já entendem a doutrina da justificação pela fé.

NOTAS

1 Por exemplo, veja Vincent Cheung, Teologia Sistemática, Commentary on Ephesians, e Comentário sobre Filipenses.

Um comentário:

dlrandrade disse...

Uma síntese introdutória muito boa. Utilizarei como fonte nos sermões que pregado aqui na igreja sobre Gálatas.