terça-feira, maio 30, 2006

Comentário sobre 1Pedro (34)

No versículo 23, Pedro novamente faz um contraste entre o perecível e o imperecível. Ele deseja tornar a diferença clara para os seus leitores. No início do versículo 7, ele tinha dito que embora até mesmo o ouro pereça, a fé refinada pelo fogo provará ser genuína e resultará em louvor e honra quando Jesus Cristo for revelado. Então, no versículo 18, ele faz o contraste entre “coisas perecíveis” como prata e ouro, e “o precioso sangue de Cristo”, o qual é “sem mancha e sem defeito”.

Nos versículos 24-25, Pedro usa Isaías 40:6-8, e diz que todos os homens são como a relva e toda a sua glória como a flor da relva. Assim com a relva murcha e as flores caem, os homens perecem e a sua glória desvanece. Então, todas as suas realizações e todas as suas ostentações se tornam nada. Esta é outra razão pela qual não devemos invejar os incrédulos. Eles trabalham duro para acumular riqueza e ganhar respeito. Mas então, “o Senhor sopra sobre eles” (Isaías 40:7), e tudo pelo que eles trabalharam volta ao pó.

A Escritura expõe a futilidade da vida não-cristã, e isto enfurece os incrédulos. Enquanto o eleito foi ressuscitado da morte espiritual e despertado da dormência espiritual para a fé em Jesus Cristo, os réprobos são endurecidos, de forma que eles prefeririam destruir a fé cristã e perseguir o povo de Deus do que se arrepender dos seus pecados. Contudo, a vida cristã, a fé cristã, e a comunidade cristã nunca podem ser destruídas. Elas foram edificadas sobre a viva, indestrutível e permanente palavra de Deus (v. 23-25).

Pedro aplica esta verdade aos seus leitores. Embora seus perseguidores possam parecer serem fortes no momento, sua força e glória são transitórias, e murcharão e fenecerão. Mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta palavra é o evangelho que foi pregado aos seus leitores, e no qual eles haviam crido.

Esta deve ser nossa atitude quando enfrentamos perseguição hoje. O que quer que estejamos enfrentando, devemos primeira lembrar que a obra de Deus é indestrutível porque ela é edificada sobre a palavra viva e permanente de Deus. Os cristãos não são produzidos pelas sociedades, tradições, pelo livre-arbítrio dos homens, ou por acidente – eles são o produto da palavra de Deus. Assim, embora os homens possam destruir os corpos, suas almas estão seguras para sempre através de Cristo, e as obras que eles têm feito em Deus nunca fenecerão. A igreja não é uma instituição fabricada pelo homem, mas como Jesus declarou: “Eu edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la” (Mateus 16:18). A igreja é indestrutível.

Não-cristãos podem atacar a Bíblia – eles podem escrever livros contra ela e fazer filmes sobre ela. Certamente, deveríamos responder seus argumentos e alegações contra a Escritura. Mas mesmo antes de começarmos, podemos ter a confiança de que os críticos e céticos podem vir e ir – muitos têm sido desacreditados, e ainda muitos virão no futuro – mas a Bíblia permanece para sempre.

Este é o porquê, embora eu me preocupe muito com o estado da igreja, e embora eu seja zeloso pela honra de Deus, eu nunca tenho medo de novos ataques, argumentos e teorias contra a Escritura e contra a fé cristã. Eu não tenho medo de que um dia eles conseguirão desacreditar a fé cristã, de forma que todo mundo olhará para ela como nada mais do que mitos e fábulas. Isto nunca acontecerá. Os não-cristãos nunca vencerão a batalha intelectual contra a nossa fé.

Nem eles podem usar o poder político nem mesmo a força física para eliminar a igreja. Prisões e armas não são nadas contra a onipotência de Deus. Sim, eles podem prender um irmão aqui e matar uma irmã ali. Mas eu nunca terei medo de que um dia os incrédulos tomarão todas as Bíblias e as queimarão. Eu nunca terei medo de que um dia eles matarão todos os cristãos.

A fé cristã é uma obra de Deus, e como tal, ela é indestrutível. Portanto, embora devamos pregar e defender a fé com todo zelo, que não façamos nada por medo dos incrédulos. Quando consideramos os incrédulos à luz da vontade e do poder de Deus, e à luz do próprio fundamento da igreja, consideraremos todos eles como tolos impotentes, e seus ataques como nada.

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